quinta-feira, agosto 27, 2009

Acordo Brasil x Vaticano é inconstitucional

Para o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valarades, a aprovação do estatuto da Igreja Católica no Brasil é inconstitucional e fere a liberdade de religião no país.

- Quando você faz um acordo dando benefício a um segmento religioso em detrimento dos outros, você começa a desobedecer, a descumprir o texto constitucional.

A Câmara aprovou, nesta quarta-feira, 26, o estatuto da Igreja Católica no Brasil. O texto legisla, dentre outras coisas, sobre o ensino católico facultativo nas escolas públicas do país, e sobre a promoção de bens e propriedades da Igreja considerados "patrimônio artístico ou cultural" pelo Brasil. O tema suscitou questionamentos sobre o desrespeito ao caráter laico do Estado brasileiro.

No mesmo dia, os deputados regulamantaram o direito à liberdade religiosa, conforme previsto em projeto do deputado George Hilton (PP-MG) - uma tentativa de repassar às demais religiões às garantias e direitos do Estatuto do Vaticano.

Caso o tema seja aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Lula, a entidade poderá recorrer na Justiça. "Vamos estudar se caberia, para o cumprimento da Constituição, um questionamento jurídico através de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal", diz o presidente da AMB.

Confira a entrevista:

Terra Magazine - Como o senhor recebeu a aprovação do acordo entre Brasil e Vaticano? Mozart Valadares - A nossa manifestacao contrária foi extraída da reunião de nosso órgão de direitos humanos com todas as entidades afiliadas à AMB. Nós não admitimos e não aceitamos que essa discussão seja transformada numa discussão religiosa ou ideológica. Não é isso. Eu inclusive sou católico praticante. A questão é a Constituição Federal. Nós não temos uma religião oficial. O constituinte não elegeu uma religião oficial para o Brasil...

Sim...
Ora, no nomento que você faz um acordo introduzindo a religião católica em escolas públicas, quando você faz um acordo dando benefício a um segmento religioso em detrimento dos outros, você começa a desobedecer, a descumprir o texto constitucional.

Na questão do ensino religioso, o acordo especifica que ele é facultativo. Isso não foge a essa questão constitucional?
O ensino não é obrigatório, mas se o Estado brasileiro colocou sua assinatura em um acordo com um segmento religioso é óbvio que isso é um privilégio, é óbvio que para introduzir isso em escolas públicas vai ficar muito mais fácil e as outras religiões não terão esse espaço em virtude de um não acordo, de um não reconhecimento desses pelo Estado. É a questão legal. Nada de preoconceito e discriminação. É com base nisso, no Estado laico, no Estado em que há liberdade religiosa e não há religião oficial, que a AMB se manifesta.

A Câmara também regulamentou o direito à liberdade religiosa, para contrabalancear o peso do Estatuto do Vaticano. Pode funcionar de alguma maneira, do ponto de vista constitucional?
Mas é desnecessário, porque a Constituição já diz que não pode haver qualquer discriminação e que a liberdade de expressão religiosa é ampla no país. Com o maior respeito a quem apresentou o projeto, mas ele está repetindo o que a Constituição já prega.

Um dos artigos do Estatuto diz que as partes irão promover bens e propriedades da Igrea que possam ser considerados "patrimônio cultural e artístico". Essa não pode ser uma brecha para a injeção de dinheiro público em reformas de igrejas?
É outro dispositivo que mostra uma clara tendência do acordo em privilegiar um segmento religioso no país. E isso, mais uma vez, fere o dispositivo constitucional.

Se fala em laicidade do Estado, mas a isenção tributária às igrejas já existia antes acordo. Isso não é um forma de privilégio?
Deveria ser abolido. Ou você trata os segmentos igualitariamente, ou você não pode dispensar um tratamento diferenciado não só à Igreja Católica, mas também a qualquer igreja.

O que pode ser feito do ponto de vista constitucional para reverter isso, caso a matéria seja aprovada em definitivo?
Aí vamos estudar e discutir com nossos órgãos deliberativos se caberia, para o cumprimento da Constituição, um questionamento jurídico através de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal.


FONTE: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3943857-EI6578,00-AMB+acordo+Brasil+x+Vaticano+e+inconstitucional.html

terça-feira, agosto 25, 2009

Encontros de Espiritualidade

Encontros de Espiritualidade

"Porque há sentido para a vida!"

todas as quartas,

das 19h30min às 20h30min

no templo da IPI Central de Brasília


Ao abrir as Escrituras Sagradas, cada um pode dizer para si mesmo: estas palavras de Deus são um pouco como uma carta muito antiga, que me foi escrita numa língua desconhecida; mas, como foi escrita por alguém que me ama, vou procurar compreender o seu sentido e procurar colocar em prática o seu significado na minha vida, o pouco que descobri…

No início, não importam os grandes conhecimentos. Claro que não desprezamos o seu valor. Mas é através do coração, nas profundezas de si mesmo, que o ser humano começa a descobrir que a vida com Deus nos leva a uma nova compreensão do que somos e do sentido da nossa existência. Os conhecimentos virão a seguir. Não é tudo adquirido de uma só vez. Uma vida interior elabora-se passo a passo. Raízes fortes e profundas levam tempo para serem cultivadas... A espiritualidade cristã é, assim, um exercício continuo que visa aprofundar-nos na comunhão com Deus, como que lançando raízes profundas a fim de viver uma vida menos rasa de sentido, valor e segurança.

No mais profundo da condição humana repousa a espera de uma presença, o desejo silencioso de uma comunhão. A sede pressupõe a existência da água. A fome, a existência do alimento. A busca de sentido e a fome de transcendência é o desejo que procura repousar segura nos braços de Deus.

A espiritualidade cristã genuína pressupõe encontros: encontro com Deus e encontro com os irmãos e irmãs que desejam e buscam o Encontro com Deus. Assim, todos podem dizer para si mesmos: o que eu não compreendo acerca da fé, outros compreendem e vivem... Por isso, não apoio apenas no que eu penso ou creio, mas me uno aos meus irmãos e irmãs. Nestes encontros de espiritualidade, como peregrinos da esperança, fortalecemos uns aos outros, pois juntos buscamos o encontro com Deus, através de Jesus, que pelo Seu Espírito Santo, a todos fortalece, capacita e renova.

Rev. Ézio Martins de Lima

Ps. A imagem é uma foto da escultura (bronze)“The Return of the prodigal son”, do artista inglês Charlie Mackesy.