quinta-feira, março 27, 2008

A Disciplina da Oração


“Eu sou o fundamento de tua súplica; primeiro, é minha vontade que recebas o que suplicas; depois, faço-te desejá-lo; e então faço-te suplicá-lo e tu o suplicas. Como, pois, não haverias de receber o que suplicas?” - Juliana de Norwich

A oração arremessa-nos à fronteira da vida espiritual. É pesquisa original em território inexplorado. A meditação introduz-nos na vida interior; o jejum é um recurso concomitante, mas a Disciplina da oração é o que nos leva à obra mais profunda e mais elevada do espírito humano. A oração verdadeira cria e transforma a vida. “A oração - a oração secreta, fervorosa, de fé - jaz à raiz de toda piedade pessoal”, escreve William Carey.

Orar é mudar. A oração é a avenida central que Deus usa para transformar-nos.

Se não estivermos dispostos a mudar, abandonaremos a oração como característica perceptível de nossas vidas. Quanto mais nos aproximamos do pulsar do coração de Deus, tanto mais vemos nossa necessidade e tanto mais desejamos assemelhar-nos a Cristo. William Blake diz que nossa tarefa na vida é aprender a produzir os “raios de amor” de Deus. Com que freqüência criamos mantos de evasão - abrigos à prova de raios - a fim de evitarmos o Amante Eterno. Mas quando oramos, lenta e graciosamente Deus revela nossos esconderijos e nos livra deles. “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tiago 4.3). Pedir “corretamente” envolve paixões transformadas, renovação total. Na oração, na verdadeira oração, começamos a pensar os pensamentos de Deus à sua maneira: desejamos as coisas que ele deseja, amamos as coisas que ele ama. Progressivamente, aprendemos a ver as coisas da perspectiva divina.

Todos quantos têm andado com Deus consideraram a oração como principal negócio de suas vidas. As palavras de Marcos, “Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto, e ali orava”, soam como um comentário sobre o estilo de vida de Jesus (Marcos 1.35). Davi deseja que Deus quebre as cadeias de auto-indulgência do sono: “de madrugada te buscarei” (Salmo 63.1, Edição Revista e Corrigida). Quando os apóstolos foram tentados a investir suas energias em outros mistérios importantes e necessários, eles decidiram entregar-se continuamente à oração e ao ministério da Palavra (Atos 6.4).

Martinho Lutero declarou: “Tenho tanto o que fazer que não posso prosseguir sem passar três horas diariamente em oração.” Ele sustentava como axioma espiritual que “Aquele que orou bem, estudou bem.” João Wesley disse: “Deus nada faz senão em resposta à oração”, e apoiava sua convicção devotando duas horas diariamente a esse exercício sagrado. O característico mais notável da vida de David Brainerd foi sua vida de oração. Seu diário está cheio de relatos de oração, jejum e meditação. “Gosto de estar sozinho em meu chalé, onde posso passar bastante tempo em oração.” “Hoje separo este dia para jejum secreto e oração a Deus.” “Quando volto ao lar e entrego-me à meditação, à oração, e ao jejum...”

Para esses exploradores nas fronteiras da fé, a oração não era um pequeno hábito preso à periferia de suas vidas - ela era a vida deles. Foi o trabalho mais sério de seus anos mais produtivos. William Penn testificou de George Fox que, “Acima de tudo ele avantajou-se em oração... A mais espantosa, viva e venerável estrutura que já senti ou contemplei, devo dizer, era a dele em oração.” Adoniram Judson buscava retirar-se dos afazeres e das pessoas sete vezes por dia a fim de engajar-se no sagrado mister da oração. Ele começava à meia-noite e de novo ao alvorecer; depois às nove, às doze, às quinze, às dezoito e às vinte e uma horas ele daria tempo à oração secreta. John Hyde, da Índia, fez da oração um característico tão dominante de sua vida que foi apelidado de “Hyde que Ora”. Para esses, e para todos os que enfrentaram com bravura as profundezas da vida interior, respirar era orar.

Tais exemplos, contudo, em vez de estimular a muitos de nós, desanimam-nos.

Esses “gigantes da fé” acham-se tão distantes de qualquer coisa que tenhamos que experimentar que chegamos a desesperar-nos. Mas em vez de flagelar-nos por nossa falha óbvia, deveríamos lembrar-nos de que Deus sempre nos encontra onde estamos e lentamente nos conduz a coisas mais profundas. Os corredores ocasionais não entram subitamente numa maratona olímpica. Eles se preparam e treinam durante muito tempo, e o mesmo deveríamos nós fazer. Se observarmos tal progressão, podemos esperar orar com maior autoridade e êxito espiritual daqui a um ano.

É fácil sermos derrotados logo de início por nos haverem ensinado que tudo no universo já foi determinado, e assim as coisas não podem ser mudadas. Podemos melancolicamente sentir-nos desse modo, mas não é isso o que a Bíblia ensina.

Os suplicantes que encontramos na Bíblia agiam como se suas orações pudessem fazer e fizessem uma diferença objetiva. O apóstolo Paulo alegremente anunciou que “somos cooperadores de Deus” (1 Coríntios 3.9); isto é, estamos trabalhando com Deus para determinar o resultado dos acontecimentos. O estoicismo, e não a Bíblia, é que exige um universo fechado. Muitos, com sua ênfase sobre aquiescência e resignação ao modo de ser das coisas como “a vontade de Deus”, aproximam-se mais de Epícteto que de Cristo. Moisés foi ousado na oração porque acreditava poder mudar as coisas, e mudar até mesmo a mente de Deus. De fato, a Bíblia de tal modo acentua a abertura de nosso universo que, num antropomorfismo duro para os ouvintes modernos, ela fala que Deus constantemente muda de idéia de acordo com seu amor imutável (Êxodo 32.14; Jonas 3.10).

Isto vem como um verdadeiro livramento a muitos nós, mas também coloca diante de nós uma tremenda responsabilidade. Estamos cooperando com Deus para determinar o futuro! Certas coisas acontecerão na história se orarmos corretamente. Devemos mudar o mundo pela oração. Que motivação maior necessitamos para aprender este sublime exercício humano?

A oração é um assunto tão vasto e tão complexo que de imediato reconhecemos a impossibilidade de mesmo levemente tocar em todos os seus aspectos num único capítulo. Tem-se escrito uma miríade de livros verdadeiramente bons sobre a oração, sendo um dos melhores o clássico de Andrew Murra, “With Christ in the School of Prayer” (Com Cristo na Escola da Oração). Faríamos bem em ler muito e experimentar profundamente se desejamos conhecer os caminhos da oração. Uma vez que a restrição freqüentemente aumenta a clareza, este capítulo limitar-se-á a ensinar-nos como orar a favor de outras pessoas, com êxito espiritual. Homens e mulheres de nossos tempos sentem tão grande necessidade da ajuda que possamos proporcionar-lhes, que nossas melhores energias deveriam ser devotadas a esse mister.

"Celebração da Disciplina" - Richard Foster



domingo, março 23, 2008

Precisamos da Sua Presença, JESUS!

“Mas eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles”.
(Lucas 24.29)


Os discípulos de Emaús clamaram: “Fica conosco, Senhor... pois já é tarde e a noite se aproxima”. A “noite” pode ser perigosa! Metaforicamente representa os mistérios que estão fora da nossa capacidade visual, bem como de nosso controle. A noite aponta para o fato de que estamos vulneráveis! Representa nossos medos, solidão e desventuras.
Como suportar a noite? E como podemos encontrar poder para enfrentá-la?
Note que os discípulos se levantam e retornam para Jerusalém! (Lucas 24.33). Eles enfrentaram a noite! Eles perderam o temor de enfrentá-la!
O nosso poder como cristãos não recai na manjedoura de Belém, nem nas relíquias da cruz do Gólgota. Nossa fé e esperança recaem no Cristo Eterno que triunfou sobre a morte!
Como aqueles dois discípulos a caminho de Emaús, muitos de nós, contudo, nos sentimos decepcionados com a religião de nosso tempo; com o fato de tantos líderes religiosos sufocarem a mensagem de Cristo e esconderem-na atrás de mensagens institucionais; com o fato de os lideres religiosos serem às vezes tão zelosos da religião, tão conhecedores da lei, mas tão faltos na prática da justiça e tão ignorantes acerca do amor! (Lucas 24.20-21)
Assim como aqueles discípulos, muitos de nós também não conseguimos perceber a presença de Deus em meio aos pequenos sinais do dia-a-dia. Durante aquela caminhada embalada pela melodia da tristeza, Cristo estava presente, mas não foi reconhecido (Lucas 24.16).
Então, somos surpreendidos pela auto-revelação de Deus! Ele vem ao nosso encontro nos caminhos da vida. Surpreende-nos com sua presença de poder e graça! Altera o sentido da nossa existência! Dá-nos um propósito definido para a vida! Devolve-nos a esperança! Muda nosso rumo! Este é o poder da ressurreição! (Lucas 24.30-32)
Sem a presença do Cristo Ressurreto, o que seria de nós? O que seria de tudo o que fazemos no culto? Qual o sentido das nossas orações? Do louvor? Da adoração? Enfim, qual o sentido da vida, se não tivermos a certeza gloriosa de que não estamos sozinhos? De que Jesus, o Ressurreto, caminha conosco e fica conosco?
Sob o poder do Cristo Ressurreto e na certeza da Sua presença poderosa, enfrentamos “as noites da vida” sem temor ou desespero!
A vida daqueles que tiveram um encontro pessoal com o Cristo Ressurreto jamais será a mesma!
Aleluia! Cristo Ressuscitou!


Rev. Ézio Lima