sábado, junho 07, 2008

Risco que Vale a Pena


E disse Jesus:


"Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens". Marcos 1:17

Muitos carros modernos são equipados com um sistema de posicionamento global (GPS). Esses pequenos dispositivos — com vozes macias e mapas exatos — nos mostram como ir de um lugar para outro.

Jesus não providenciou um GPS para Simão e André. Em vez disso, Ele caminhou perto do lago e os convidou para segui-lo numa jornada arriscada. A narrativa do início do evangelho de Marcos nos chama a seguir Jesus Cristo sem conhecermos o caminho.

Na Galiléia, Jesus começou a contar aos outros que o Reino de Deus havia chegado através dele. A boa nova de Jesus veio após 400 anos de silêncio desde que o último profeta do Antigo Testamento havia falado em nome do Senhor.

Jesus queria introduzir as pessoas ao plano de Deus: nele, Deus está entre nós; nele, o Reino de Deus chegou; e o chamado para crer nele é o melhor convite que alguém pode receber. Jesus estava chamando homens e mulheres para um lugar onde não haveria conforto nem segurança.

A caminhada com Jesus levou os discípulos a lugares aonde eles jamais sonharam ir. Eles podiam supor que seguir a Jesus significaria muito risco e inconveniência. Mas a inconveniência com Jesus faz a vida valer a pena.

Cada Dia

quinta-feira, junho 05, 2008

qual livro estou lento no momento...?


Esta semana perguntaram-me sobre o livro que estou lendo no momento, eis a resposta:
Bíblia: Estou relendo os evangelhos, concentrando-me especialmente no chamado de Jesus para o discipulado. Estou sendo grandemente surpreendido com este jeito 'estranho' de Jesus de chamar e formar seus discípulos. Contrapondo com os métodos que a igreja utiliza na atual conjuntura para "atrair e treinar pessoas", preciso confessar que "estou bem confuso". Tenho usado algumas perguntas para estas leituras: 1) O que Jesus prometia para aqueles que Ele chamava para si?; 2) Quais argumentos ele usava; 3) Que tipo de técnica/modelo Jesus usou para preparar estes discípulos?; 4) Como eu responderia a este chamado e aos "métodos" de Jesus?
Moltmann: Estou terminando de ler "No fim, o início: breve tratado sobre a esperança", do Teólogo alemão Júrgen Moltmann, publicado pela Loyola, 2007. Livro bom pra ler e fazer pensar. Mas se você pretender ler, esteja preparado para ser surpreendido, questionado e, possivelmente, 'escandalizado' em alguns pontos. Moltmann é teologia para as crianças que sabem que a boa teologia se escreve com lápis.
Richard Foster: "Celebração da Simplicidade". Vou falar mais sobre este livro posteriormente. Os dois capitulos sobre "simplicidade exterior" são de uma simplicidade tao profunda que dá nó nos neurônios da gente! Eu fiquei absorto há alguns dias atrás com estes dois capítulos rodando na minha cabeça! Suspeito que preciso de algumas semanas para 'digerir' o que ele escreveu. É um livro que vale a pena ser lido.

E você, o que está lendo?
Compartilhe aqui no Blog, e se puder faça um pequeno comentário sobre o livro...

Um forte abraço!
Ézio Lima, pr.

Comissão e Omissão

Todos reconhecemos o que chamamos de “a grande comissão”: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.” (Mc 16.15 ) E, de uma maneira concreta, ainda que não excelente, como o desejado, a Igreja tem cumprido a missão de levar, a cada pessoa, o conhecimento da boa notícia de que o Filho de Deus veio à Terra para buscar o que se havia perdido. O que não temos percebido é que essa comissão tem três frentes.
A primeira frente é a que já foi mencionada, o anúncio ao indivíduo, na qual nos temos saído bem, apesar de deixarmos a desejar no quesito excelência.
A segunda frente é a da implicação nacional: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” (Mt28.19,20) Nessa dimensão o que se considera é a influência a ser exercida sobre as nações, de modo a adequá-las às demandas do Cristo. Alguns grupos intentaram-no na história, porém, foram tentativas que, ainda que, em certa medida, produzissem efeito, tiveram um caráter extemporâneo. Mesmo a tentativa da igreja de roma, principalmente, na idade média.
Entre outros, tivemos os puritanos, na Inglaterra; os presbiterianos, na Escócia; os calvinistas, em Genebra, na Suiça; e, mais recentemente, na Holanda, com Abraham Kuipper. Causaram impacto, porém, foram episódicas, algumas, inclusive, com a intenção de implantar o Reino, ao invés de sinalizá-lo, como está proposto na Escritura, uma vez que a implantação fica por conta do Senhor em sua volta.
Resta, entretanto, uma tarefa, a de influenciar as nações, de modo que o máximo possível do Reino nelas apareça, pois, não podemos nos esquecer de que há um juízo para as nações: Mt 25.32-46 – onde Jesus avaliará cada nação pela forma como os vitimados pelo sistema foram tratados. Enfim, se houve ou não justiça social.
A terceira frente é a da provocação de adoração por meio das boas obras: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mt 5.16) Jesus ordena que manifestemos a luminosidade com a qual, ele mesmo, nos dotou. Essa luminosidade aparece na forma de boas obras, que têm a função de provocar nos beneficiados a glorificação do nome do Pai. Essas boas obras têm a ver com as nossas características que, necessariamente, nos levam a fazer o bem: As qualidades expostas nas bem-aventuranças.
Somos humildes de espírito, gente que se sabe dependente da graça, abraçando a todos sem nenhuma discriminação, reconhecendo em todos um valor intrínseco: Deus os ama e os quer salvar, portanto, devem ser amados e ajudados por nós. Somos os que choram, gente de compaixão ativa, que está onde o sofrimento acontece para diminuí-lo como for possível. Somos os mansos, gente que entende a autoridade a partir do serviço, e, então, pelo exemplo, aponta caminho para a sociedade, para a construção de uma comunidade solidária. Somos os que têm fome e sede de justiça, gente que não se esquiva de ser a voz dos que foram emudecidos pela injustiça em suas múltiplas formas. Somos misericordiosos, gente que não confunde o pecado com o pecador, reconhecendo a todo o ser humano o direito à dignidade, independente da gravidade de seu erro, aprimorando as instituições em favor do ser humano. Somos os de coração puro, gente que sabe das possibilidades que a graça cria, que sabe que vale a pena investir no ser humano e na sociedade, porque a graça divina age eficazmente, fazendo com que o universo conspire a nosso favor; daí, estaríamos por detrás de todo ato de desenvolvimento transformador, de todo o investimento em saúde, educação, de toda a atividade que emancipe o ser humano. Somos os pacificadores, aqueles que resolvem problemas tendo em vista o estabelecimento do direito. Estamos prontos a sofrer por isso, porque foi o que vimos no Cristo, Jesus.
Infelizmente, ainda que haja um grande número de cristãos engajados nessa aplicação de nossa luminosidade, essa tem sido uma grande omissão da igreja local, a começar pelo ensino dessa verdade, de modo que os cristãos, em não o sabendo, sequer são desafiados a vivê-lo. Os cristãos não têm sido informados de que são seres luminosos e de como essa luz ilumina. Muita gente está sofrendo por causa desse desconhecimento, entre os seguidores de Jesus, sobre a sua natureza no Cristo e a consequente manifestação da mesma. Essa luz tem de brilhar.

Rev. Ariovaldo Ramos
Fonte: http://www.ariovaldoramos.com.br/

segunda-feira, junho 02, 2008

Meditação em Marcos 1.16-20 - O Chamado de Jesus

Texto: Marcos 1.16-20

(// Mt 4.18-22; Lc 5.1-11)

16 Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.

17 Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.

18 Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram.

19 Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes.

20 E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus.

Intr.: * A descrição é permeada por uma sensação de recordação pessoal.

*Marcos possivelmente ouvira muitas vezes esta história dos lábios do próprio Pedro.

* A vida é feita de momentos, e há momentos que marcam indelevelmente a nossa existência. Aqui temos o registro de um destes momentos que marcaram a vida daqueles homens, não somente nos seus dias, mas por toda a história da humanidade (eis nós aqui falando sobre este momento na vida deles) e por toda a eternidade (o projeto de vida que se iniciou com a resposta positiva ao chamado de Jesus tem complicações eternas).

Transição: A descrição tem seu inicio com o caminhar de Jesus às margens do Mar da Galiléia (ou Lago de Tiberíades, como Lucas o chama). Na ótica dos discípulos que narram o fato, Jesus andava como que despretensiosamente... até que seus olhos se fixaram em homens que lançavam suas redes ao mar.

Quero convidar você para entrarmos nesta história. Ela fala de pescadores num dia comum, fazendo coisas comuns... mas acima de tudo nos chama para vislumbrar nossa própria história, seus dilemas, desafios e propósitos.

O texto nos fala de necessidades e prioridades, fala de deixar coisas em função de um novo projeto de vida. Fala de mudança de vida. Mudança radical. Mudança que envolve decisões, envolve esperança, envolve sonhos.

A questão que deve chamar-nos atenção é: porque estes homens seguiram a Jesus? O que este ato significou para as suas vidas? O que este homem Jesus tinha em seu olhar e em seu chamado que faz com que outros homens não apenas o ouçam, mas tomem uma decisão tão impressionante?

O que ele disse, qual seu argumento, qual sua promessa, o que ele oferece que os faz tomar tal decisão?

Logo aqui nós já somos surpreendidos.

Ele não oferece nada, a não ser uma missão. Ele não persuade com argumentação, mas com um chamado para estar com ele.

Parece-me que neste nosso tempo as pessoas têm alguma dificuldade com um Jesus assim tão, digamos, simples.

Jesus precisa vir sempre com algo mais. Jesus e minha cura. Jesus e a minha prosperidade. Jesus e meu êxito. Algo que literalmente me fascina nos evangelhos é que Jesus é suficiente, e estar com ele é o suficiente. Ele é tudo, absolutamente tudo.

Quando Lucas relatou este mesmo momento na vida destes 4 pescadores (E eu, ainda que alguns estudiosos não concordem, acredito que seja o mesmo momento). O fez acrescentando alguns detalhes que Marcos achou que não eram tão importantes para a narrativa. (Leiamos Lucas 5.1-11).

As duas narrativas juntas lançam luz sobre este momento. A presença de Jesus de alguma forma sobrenatural os atingiu, os deixou maravilhados, e eles o seguiram. Ambos os evangelhos relatam que deixaram tudo. Jesus é SUFICIENTE!

Nota: O deixaram tudo, não significa abandono da propriedade (não neste caso), mas de uma nova missão. Marcos 1.29, relata que Jesus, com Tiago e João vão para a casa de André e Pedro, após Jesus ter libertado um homem possesso dentro da Sinagoga de Cafarnaum.

Li esta semana um trecho de um livro que me impactou e me fez pensar:

“Estou cada vez mais convencido de que Jesus não veio começar outra religião ou competir no mercado religioso. Creio que ele veio extinguir o padrão de competitividade religiosa (que Paulo chamou de “lei”) ao cumpri-lo. À luz disso, embora eu não espere que todos os budistas se tornem cristãos (culturais), espero que todos que se sintam chamados se tornem budistas seguidores de Jesus; creio que eles deveriam ter essa oportunidade e receber esse convite. Não espero que todos os judeus ou hindus se tornem membros da religião cristã. Mas espero que todos os que se sentirem chamados se tornem judeus ou hindus seguidores de Jesus. Finalmente, espero que Jesus salve o budismo, o islamismo e todas as outras religiões, incluindo a religião cristã, que na maioria das vezes parece carecer tanto de salvação quanto qualquer outra religião. (Nesse contexto, desejo que todos os cristãos se tornem seguidores de Jesus, mas talvez seja pedir demais)”. (Uma Ortodoxia Generosa, Brian McLaren).

Dentre as muitas lições que este texto tem para a minha vida e a sua vida, é que o mesmo Jesus continua caminhando em direção à sua vida e à minha vida. Seu olhar em nossa direção e o seu chamado continua fazendo toda a diferença.

E ele não vem com argumentos. Nós gostamos muitos deles, e os usamos muitos. Jesus não. Deus prefere convencer-nos com a sua presença do que com seus argumentos, ainda que ele não os ignore, haja vista que por ser Deus detém não somente os melhores argumentos (e os usa quando necessário), mas todo o conhecimento.

Pedro e André, Tiago e João estão prontos? Preparados?

Esta é outra boa lição que precisamos aprender deste texto. A vida cristã é um projeto de vida, e neste projeto de vida vamos sendo talhados, preparados e moldados pela presença de Jesus.

Pedro não está pronto. Os evangelhos deixam claro que Pedro nos próximos anos será um aluno difícil nesta escola. Interpreta muitas coisas de forma equivocada; muitas vezes responde as questões de maneira errada e na hora da prova, prefere sair pela tangente que enfrentar ser contado entre os seguidores de Jesus.

Os detalhes de Pedro relatados nos evangelhos, são para exemplificar... Os outros 11 não foram melhores.

Basta lembrarmo-nos dos outros dois irmãos Tiago e João, filhos de Zebedeu, que utilizaram de sua mãe para se assentarem ao lado de Jesus no Reino político que eles erroneamente pensavam que ele inauguraria.

Eis aqui um princípio da fé cristã que não podemos deixar passar despercebido: Jesus nos chama para estar com ele, e é somente nesta relação de intimidade e obediência que vamos sendo preparados... Na faculdade do discipulado cristão nem um aluno recebe o diploma de forma antecipada!

Rev. Ézio Lima