terça-feira, setembro 13, 2011

A ÉTICA NA APARÊNCIA!

A ÉTICA NA APARÊNCIA!
“Só para inglês ver”. Há inúmeras teorias sobre o surgimento da expressão, mas a mais corrente remonta ao ano de 1831 quando o Governo Regencial do Brasil, atendendo as pressões da Inglaterra, promulgou uma lei proibindo o tráfico negreiro. A lei declarava livres os escravos que chegassem aqui e condenava severamente os “importadores”. Mas, como o sentimento geral era de que a lei não seria cumprida, teria começado a circular na Câmara dos Deputados, nas casas e nas ruas, o comentário de que o ministro Feijó fizera uma lei “só para inglês ver”.
“Só para inglês ver” é a nossa ética na aparência. É o nosso jeito de brasileiro dee demonstrar o quanto somos especialistas em falsear a realidade, mascarar os fatos, mas, ainda assim, nos auto-convencer que estamos fazendo tudo dentro da legalidade. É a ética do jeitinho, do caminho mais fácil, da lei do menor esforço, que se resume nas técnicas mais modernas para fazer uma bela maquiagem no focinho do porco.
Para não fugir à nossa mais antiga tradição, a nossa Suprema Corte concentrar-se-á em breve na discussão do Recurso Especial que discute o alcance de imunidade parlamentar referente a opiniões, palavras e votos lançados da tribuna de Casas Legislativas (RE 600.063). O plenário virtual do STF (Supremo Tribunal Federal) já reconheceu a existência de repercussão geral do recurso, o que significa que o tema foi elevado à categoria de relevada importância para o nosso ordenamento jurídico.
Entenda a origem do referido RE: 
No dia 22 de maio de 2001, durante a realização da 16ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Tremembé (SP), um dos vereadores assumiu a tribuna e ofendeu outro parlamentar.Ao examinar o caso, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), no julgamento de apelação, entendeu que as palavras proferidas por agente político, quando no exercício do mandato, não estavam protegidas pela imunidade parlamentar prevista no artigo 29, inciso VIII, da Constituição Federal.O TJ-SP considerou que foram extrapolados os limites do bom senso e que houve ofensa à honra do outro parlamentar. Aquela Corte consignou, ainda, que “existindo prova do fato, do dano e do nexo causal, deve-se manter a condenação por danos morais”. Na hipótese foram fixados 100 salários mínimos de indenização. 

A defesa para que sejam proibidas “as ofensas” entre parlamentares repousa sobre dois argumentos:
a)    as ofensas (de um parlamentar a outro) configuram-se também ofensas diretas aos seus eleitores
b)   as ofensas (de um parlamentar a outro) provoca descrédito à casa legislativa como um todo, que é um símbolo da própria República.

Como não pensamos nisto antes? A solução para a corrupção estava à nossa frente o tempo todo, mas só agora nos demos conta! Claro! Os parlamentares corruptos deixarão de ser corruptos. Extinguir-se-á as comissões de ética. Acabou-se a prerrogativa (e o desgaste, o trabalho, o enfado) do STF em julgar deputados federais e senadores (Art. 53.§ 1º CF/88). Claro! Resolvemos tudo com a “Ética na aparência”. Resolvemos tudo com a simples decisão da Suprema Corte de que deputados e senadores não devem jamais proferir as palavras proibidas em relação aos seus pares: “corrupto”, “ladrão”, “assassino”... Os que não acatarem tal decisão devem ser multados, depois processados e cassados; afinal, não se pode permitir que a verdade seja dita e que os corruptos e ladrões do erário sejam processados e percam seus mandatos, pois devemos defender a todo custo a nossa arraigada tradição da “Ética na aparência”!

Rev. Ézio Martins de Lima

sexta-feira, setembro 02, 2011

DA LIBERDADE CRISTÃ E DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA

Confissão de Fé de Westminster*                                           
CAPÍTULO XX
DA LIBERDADE CRISTÃ E DA LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA
I. A liberdade que Cristo, sob o Evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles libertos do delito do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição da lei moral e em serem livres do poder deste mundo do cativeiro de Satanás, do domínio do pecado, do mal das aflições, do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna: como também em terem livre acesso a Deus, em lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário. Todos estes privilégios eram comuns também aos crentes debaixo da lei, mas sob o Evangelho, a liberdade dos cristãos está mais ampliada, achando-se eles isentos do jugo da lei cerimonial a que estava sujeita a Igreja Judaica, e tendo maior confiança de acesso ao trono da graça e mais abundantes comunicações do Espírito de Deus, do que os crentes debaixo da lei ordinariamente alcançavam.
Tito 2.14; I Tess. 1. 10; Gal. 3.13; Rom. 8. 1; Gal. 1.4; At. 26.18; Rom. 6.14; I João 1.7; Sal. 119.71; Rom. 8.28; I Cor, 15.54-57; Rom. 5l. 1-2; Ef. 2.18 e 3.12; Heb. 10. 19; Rom. 8.14. 15; Gal. 6.6; I João 6.18; Gal. 3.9, 14, e 5. 1; At. 15. 10; Heb. 4.14, 16, e 10. 19-22; João 7.38-39; Rom. 5.5.
II. Só Deus é senhor da consciência, e ele deixou livre das doutrinas e mandamentos humanos que em qualquer coisa, sejam contrários à sua palavra ou que, em matéria de fé ou de culto estejam fora dela. Assim crer tais doutrinas ou obedecer a tais mandamentos como coisa de consciência é trair a verdadeira liberdade de consciência; e requerer para elas fé implícita e obediência cega e absoluta é destruir a liberdade de consciência e a mesma razão.
Rom. 14.4, 10; Tiago 4.12; At. 4.19, e 5.29; Mat. 28.8-10; Col. 2.20-23; Gal. 1. 10, e 2.4-5, e 4.9-10, e 5. 1; Rom, 14.23; At. 17.11; João 4.22; Jer. 8.9; I Ped. 3. 15.
III. Aqueles que, sob o pretexto de liberdade cristã, cometem qualquer pecado ou toleram qualquer concupiscência, destroem por isso mesmo o fim da liberdade cristã; o fim da liberdade é que, sendo livres das mãos dos nossos inimigos, sem medo sirvamos ao Senhor em santidade e justiça, diante dele todos os dias da nossa vida.
Luc. 1.74-75; Rom. 6.15; Gal. 5.13; I Ped. 2.16; II Ped. 3. 15.
IV. Visto que os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou, não foram por Deus designados para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos outros, resistem à ordenança de Deus os que, sob pretexto de liberdade cristã, se opõem a qualquer poder legítimo, civil ou religioso, ou ao exercício dele. Se publicarem opiniões ou mantiverem práticas contrárias à luz da natureza ou aos reconhecidos princípios do Cristianismo concernentes à fé, ao culto ou ao procedimento; se publicarem opiniões, ou mantiverem práticas contrárias ao poder da piedade ou que, por sua própria natureza ou pelo modo de publicá-las e mantê-las, são destrutivas da paz externa da Igreja e da ordem que Cristo estabeleceu nela, podem, de justiça ser processados e visitados com as censuras eclesiásticas.
I Ped. 2.13-16; Heb. 13.17; Mat. 18.15-17; II Tess.3.14; Tito3.10; I Cor. 5.11-13; Rom. 16.17; II Tess. 3.6.

* Nota Histórica: De julho de 1643 à fevereiro de 1649, reuniu-se em uma das salas da Abadia de Westminster, na cidade de Londres, o Concílio conhecido na história pelo nome de “Assembléia de Westminster”. Este Concílio foi convocado pelo Parlamento Inglês, para preparar uma nova base de doutrina e forma de culto e governo eclesiástico que devia servir para a Igreja do Estado nos Três Reinos.
Os teólogos mais eruditos daquele tempo tomaram parte nos trabalhos da Assembléia. A Confissão de Fé e os Catecismos foram discutidos ponto por ponto, aproveitando-se o que havia de melhor nas Confissões já formuladas, e o resultado foi a organização de um sistema de doutrina cristã baseado na Escritura e notável pela sua coerência em todas as suas partes.
A Confissão de Fé foi aprovada, mas apenas poucos meses a Igreja Presbiteriana foi nominalmente a Igreja do Estado na Inglaterra. A Confissão de Westminster foi a última das confissões formuladas durante o período da Reforma. A utilidade de uma Confissão de Fé evidenciou-se na história das Igrejas Reformadas ou Presbiterianas. Sendo a Confissão de Westminster a mais perfeita que elas têm podido formular, serve de laço de união e estreita as relações entre os presbiterianos de todo o mundo

quarta-feira, agosto 17, 2011


Cristianismo com profundidade bíblica

João Calvino escreveu que “a Bíblia é a escola do Espírito Santo”.  Uma espiritualidade cristã que não seja fundamentada na Bíblia pode ser qualquer coisa, menos cristianismo. Um cristão não é um membro de uma denominação cristã ou um frequentador de cultos numa igreja evangélica (ou várias). Um cristão é alguém que, alvo da graça irresistível de Deus, crê em Jesus Cristo como o seu único e suficiente Salvador e Senhor e, que, regenerado pelo Espírito Santo, “deseja conhecer mais a Deus e viver segundo a Sua Vontade”. 
A IPI Central de Brasília está firmemente comprometida em ser uma igreja que vive o cristianismo com profundidade bíblica e, por isso, prioriza a pregação e o ensino da Palavra de Deus. 
Nesta semana, dia 10/08, às 19h30min, iniciaremos 3 cursos na igreja com o propósito de nos aprofundarmos no conhecimento da Bíblia, de uma maneira contextualizada com as questões da nossa vida cotidiana,  para que de forma integral Deus seja glorificado através de nossa vida; não apenas dentro da igreja, mas sobretudo na sociedade, na família, em nossa responsabilidade social, política e ecológica.
Se você tem acima de 25 anos e ainda não fez o Curso ALPHA, venha explorar a fé cristã de uma maneira que tem levado milhares de pessoas ao redor do mundo a descobrir que o cristianismo não é chato, falso e tampouco irrelevante. Mais de 140 países no mundo utilizam esta ferramenta poderosa de discipulado cristão. São 10 semanas de curso. Venha participar da formatura da última turma e do encontro inicial nesta quarta-feira, dia 10/08, às 19h30min.
Se você tem entre 15 e 24 anos, inscreva-se no ALPHA JOVEM. Numa linguagem jovial e material específico, o Alpha Jovem é uma série de 10 encontros nos quais conversaremos sobre temas muito interessantes. É uma oportunidade de encontrar respostas para as muitas perguntas que temos a respeito do sentido da vida. São 10 semanas de curso e o primeiro encontro também será nesta quarta-feira, dia 10/08, às 19h30min.
Para os que fizeram o Curso ALPHA, iniciaremos o “Pós-ALPHA”, a fim de proporcionar uma oportunidade de aprofundamento no conhecimento Bíblico, visando: a) promover o discipulado pelo método indutivo e mentoria; b) promover uma compreensão bíblica que redunde numa espiritualidade viva e comprometida. O curso, também com duração de 10 semanas, começa na próxima quarta-feira, dia 10/08, às 19h30min.
Para todos os interessados o convite é o mesmo: quarta-feira, dia 10/08, às 19h30min.  
Espero por você!
No amor dAquele que nos amou primeiro,

Rev. Ézio Martins de Lima

sexta-feira, julho 29, 2011

John Stott -Tribute to a life of service (1921-2011)


Nesta quarta-feira, 27/07/2011, Deus chamou para si o Rev. John Stott, considerado pela Time em 2010 como umas das 100 personalidades mais influentes no mundo. Autor de mais de 40 livros, deixou a igreja no mundo um pouco mais pobre, mas o céu um pouco mais rico! Numa semana que os telejornais, jornais e revistas estampam as fotos pela morte da Amy Winehouse, morre um homem cuja vida (90 anos) foi inteiramente entregue à causa do reino.  Morre sem alardes, sem holofotes, sem barulho... Não poderia ser diferente mesmo para aquele que escreveu o livro cujo título era: “A Contra-Cultura Cristã”. Fica aqui minha homenagem ao biblista, teólogo e pastor que tanto tem abençoado a minha vida com seus escritos. Estive recentemente na igreja na “All Souls Church”, em Londres, (http://www.allsouls.org/) ,  na qual ele foi pastor por várias décadas.  A igreja havia recentemente feito uma linda homenagem com uma enorme placa honrando a vida do seu pastor amado. Não vi John Stott na igreja, mas vi uma igreja viva, pujante, evangelizadora no coração da capital do ateísmo no mundo. É isso. Os personagens do Reino de Deus são como sementes lançadas ao chão....

No meu período de recesso neste mês de julho li o último livro do Rev. John Stott publicado em português: “O discípulo radical”. O último capítulo (8) tem como título “Morte”. No capítulo ele mesmo diz: “Tendo chegado, pela graça de Deus, aos 88 anos, os leitores compreenderão que tenho refletido bastante sobre isso. O fim está à vista. Tenho sido encorajado pelo paradoxo da vida mediante a morte”. (p. 108).
Transcrevo parte deste capítulo que, inclusive, li hoje no encerramento do Estudo Bíblico na IPI Central de Brasília:
“(...) Se para nós a vida significa Cristo, então a morte trará ganho. De fato, a vida futura será muito melhor do que a vida na terra.
Assim:
—Se adorar com o povo de Deus na terra já é profundamente satisfatório (o que é verdade), então a adoração com todos no céu será ainda mais emocionante.
—Se nosso coração já queima sempre que as Escrituras são reveladas a nós, a revelação de toda a verdade será ainda mais comovente.
—Se a glória de um pôr-do-sol já nos impressiona, como será quando estivermos diante da beleza do novo céu e nova terra?
—Se a comunhão transcultural já nos toca, ficaremos jubilosos quando finalmente nos juntarmos às multidões de todas as nações, tribos e línguas.
—Se algumas vezes já experimentamos o que é “nos alegrar com um gozo indizível, e cheio de glória”, podemos ter a certeza de que isso acontecerá com mais frequência no lugar onde não haverá tristeza nem lágrimas.
Esses são apenas exemplos da experiência humana. Em cada caso é adequado usar um comparativo, ou seja, “muito melhor”. Na verdade, quando refletimos sobre a vida futura, o comparativo é realmente inadequado; o mais apropriado é usarmos o superlativo. É por isso que, sempre que refletirmos sobre o futuro que nos aguarda, podemos dizer: “O melhor está por vir”.
(John Stott, “O discípulo radical”, Ultimato, 2011, p. 110-111).


Rev. Ézio Lima