quarta-feira, dezembro 14, 2011

Toma e coma! (Dia da Bíblia)

Ezequiel 2.8-3.3
8 Tu, ó filho do homem, ouve o que eu te digo (...); abre a boca e come o que eu te dou. 9 Então, vi, e eis que certa mão se estendia para mim, e nela se achava o rolo de um livro. 10 Estendeu-o diante de mim, e estava escrito por dentro e por fora; nele, estavam escritas lamentações, suspiros e ais.
1 Ainda me disse: Filho do homem, come o que achares; come este rolo, vai e fala à casa de Israel. 2Então, abri a boca, e ele me deu a comer o rolo. 3 E me disse: Filho do homem, dá de comer ao teu ventre e enche as tuas entranhas deste rolo que eu te dou. Eu o comi, e na boca me era doce como o mel.
Jeremias 15.16
16 Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó Senhor, Deus dos Exércitos.
Apocalipse 10.9-10
9 Fui, pois, ao anjo, dizendo-lhe que me desse o livrinho. Ele, então, me falou: Toma-o e devora-o; certamente, ele será amargo ao teu estômago, mas, na tua boca, doce como mel. 10 Tomei o livrinho da mão do anjo e o devorei, e, na minha boca, era doce como mel; quando, porém, o comi, o meu estômago ficou amargo.
Celebrado no segundo domingo de dezembro, o Dia da Bíblia foi criado em 1549, na Inglaterra, pelo Bispo Cranmer, que incluiu a data no livro de orações do Rei Eduardo VI. O Dia da Bíblia é um dia especial, e foi criado para que a população intercedesse em favor da leitura da Bíblia. No Brasil a data começou a ser celebrada em 1850, quando chegaram da Europa e EUA os primeiros missionários evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, no Monumento do Ipiranga, em São Paulo (SP)
I.                   O prazer de ler (A Palavra de Deus)
Chama-me atenção que em Ezequiel e Apocalipse, encontramos: “Toma-o”. A Palavra é um presente do céu. Em Jeremias  “achadas a tua Palavra”... Um encontro, que se transforma em um milagre. A Palavra de Deus é, assim, meio de graça.  
· A Bíblia: é Palavra de Deus.
· A Bíblia: é Deus mesmo falando conosco.
· A Bíblia: é fruto do cuidado de Deus que, pela Sua graça, fala conosco e nela revela o seu plano perfeito para nos salvar.
II.                O prazer de obedecer (A Palavra de Deus)
· Ler a Bíblia não é difícil. Podemos fazê-la, inclusive, como mero hábito.
· Ouvir a Palavra de Deus, já é um exercício mais difícil, pois para isso precisamos de real atenção.
· Obedecer a Palavra de Deus, é ainda um pouco mais difícil, porque precisamos nos humilhar e reconhecer que Deus sabe mais do que nós...e sabe perfeitamente o que é o melhor para nós.
III.             O prazer de viver (A Palavra de Deus)
Nos três textos, percebemos que a leitura não é a do tipo que nos ajudar adquirir conhecimento para passar numa prova.
“Comer um livro é absorvê-lo todo, assimilando nos recônditos da nossa vida. Os leitores se tornam aquilo que lêem. Se a Escritura deve ser algo mais do que simples boato sobre Deus, então deve ser colocada em nosso interior. Muitos cristãos têm opiniões sobre Deus e não hesitam em expressá-las. No entanto, só porque uma conversa (ou sermão, ou aula), tem em seu conteúdo a palavra de Deus, não quer dizer que seja verdade.  João não foi instruído a compartilhar informações sobre Deus; ele recebeu ordem de assimilar a Palavra de Deus de modo que, quando falasse, ela se expressasse claramente em sua oratória, assim como a alimento que nós comemos, quando somos  saudáveis, é inconscientemente assimilado em nossos nervos, músculos e colocado para funcionar nas palavras e nas ações”[1].
Sempre, no decorrer da história da igreja, os processos de arrependimento, consagração e obediência resultaram do encontro com a Palavra de Deus. Um encontro forte e profundo, que nos mostra quem é Deus, quem somos nós e o quanto necessitamos da sua misericórdia. Vemos, por exemplo, no livro de Neemias, a palavra sendo lida para o povo, que chora com tal intensidade que a própria liderança insta com eles para que parem de chorar e celebrem: “‘Este dia é consagrado ao Senhor, o nosso Deus. Nada de tristeza e de choro!’ Pois todo o povo estava chorando enquanto ouvia as palavras da Lei” (Ne 8.9).
O que Deus vê quando olha para nós? Uma comunidade marcada pelo choro do arrependimento ou um grupo de pessoas cuja descrição mais apropriada seria: “Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos” (2 Tm 4.4)?
Precisamos voltar à Palavra, tomá-la e comê-la: Prazer em ler, prazer em obedecer e prazer em viver.  Ouvir a Deus, caminhar com ele e obedecer-lhe.

Rev. Ézio Martins de Lima
Esboço da mensagem pregada no Dia da Bíblia - 11/12/2009



[1] Eugene Peterson, “Coma este livro”, p. 18-19).

quarta-feira, novembro 23, 2011

Há outra via. Sim, há esperança!

Já tive o privilégio de caminhar por muitos lugares e visitar igrejas das mais variadas confissões. Tenho amigos ortodoxos e liberais, tradicionais e pentecostais, protestantes e católicos. Não gosto destes rótulos, pois toda tentativa de rotular é um reducionismo.  Contudo, e apesar dos rótulos, tenho presenciado manifestações inconfundíveis do verdadeiro Evangelho. O Evangelho é, por natureza, de difícil comercialização. Não se consegue vender virtudes; jamais conseguiremos vender o projeto da cruz, ou alienar por determinada quantia o perdão divino. O Evangelho da Graça é de graça, por mais que tentem vendê-lo por aí a torto e a direito!
Quem, afinal, pagaria para dar a outra face? Quantas pessoas estariam dispostas a pagar para sofrer por amor a Cristo? Quantos de nós pagaríamos para nos engajar na causas pela justiça? Quem, afinal, pagaria para amar com todas as consequências do verdadeiro amor? E quantos ricos aceitariam o Evangelho se tivessem que entregar metade dos seus bens aos pobres e ainda pagar, quatro vezes mais, àqueles a quem houvessem defraudado?  O evangelho de Jesus Cristo exige certa coragem, que quase sempre falta ‘aos grandes e poderosos’, mas que sobra nos “humildes”, naqueles que se tornaram como crianças.
Não se vê, é verdade, muito deste cristianismo autêntico por aí. Lastimo (e não raro choro) que o “evangelho vendido” aos berros na TV é o único que a grande parte do Brasil conhece. Às vezes alguém me pergunta qual minha religião. Educadamente digo que sou um cristão de confissão reformada e membro de uma igreja presbiteriana. É fácil perceber que a resposta dada exige outra série de explicações. Não é fácil explicar. E logo me pego dizendo: “ah, mas ‘minha igreja’ não faz aquilo, nem aquilo outro, nem isso...”.  O olhar incrédulo logo denuncia o total desconhecimento. Há um evangelho da “outra via”, mas ele é desconhecido. É uma pérola de inestimável valor, mas ainda completamente desconhecida por muitos!
Lembro-me de Elias, o profeta.  Ele estava muito cansado de ensinar a verdade, de lutar contra a mentira e pregar o caminho do Deus que exige fidelidade, mas não cobra ingresso.  Às vezes não é fácil fazer tudo isso sozinho porque dá uma sensação ruim de que se está na contramão.  Mais fácil é ir com a maioria, fazer o que todo mundo faz. Talvez isso redunde num certo ‘sucesso”, além de ser bem mais fácil. Mas Deus não pede nosso sucesso, mas nossa fidelidade; nem diz que o caminho é fácil, mas que a porta e o caminho são estreitos.  Mas Elias sentiu-se exausto e sozinho. Entrou numa caverna e quis desistir de tudo. “Querem Baal? Querem religião show? Fiquem com isso... eu vou tirar meu time de campo”.  Deus, então, na Sua bondade e graça, falou com Elias: “Conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou”  (I Reis 19.18). Você consegue perceber o que estas palavras significaram para Elias?
Sim. Há muitos joelhos por aí que não se dobraram. Trata-se de pequenas iniciativas? Por certo. Mas, somadas, elas podem nos surpreender por seus resultados. Sem dúvida alguma, os salvos pela graça e pregadores da esperança têm potencial para fazer muito mais. Há ainda muitos recursos sub-utilizados. Há muitos discípulos precisando sair do anonimato e pregar o “evangelho da outra via”.  Mas os dados estatísticos nos indicam que “a grande massa evangélica brasileira” é ainda composta pela soma das pequenas comunidades, e não pelos grupos evidentes na mídia. Glória a Deus! Sim, há esperança!
Esta parte do Corpo de Cristo permanece à margem da competitividade, mas diante da solidariedade; à margem da acumulação, mas vizinha da partilha; à margem do lucro, mas próxima da gratuidade; à margem do individualismo, mas de braços abertos para a fraternidade. Eles me ajudam a interpretar e entender a manjedoura, a encarar o sofrimento, a encontrar no calvário sinais de vida e ressurreição. Eles podem me trazer lembranças das coisas que resgatam a esperança da vida. Deus continua se revelando de maneira estranha e em lugares imprevisíveis – e nós não percebemos.
Você percebe? Alegre-se! Exulte! Não deixe, assim, de viver e proclamar o Evangelho da Graça e de graça! Há outra via. Sim, há esperança!

Ézio Martins de Lima, pr

terça-feira, outubro 11, 2011

Segue-me!



 “Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu”.
Mateus 9.9
Jesus disse apenas: “Segue-me”.
Sem qualquer advertência, explicação ou tentativa de convencimento. Disse apenas Segue-me, o que pressupõe: “Venha! É Por aqui. Eu mostro o caminho”.
Esse convite não precisam se quer da voz. Os olhos podem transmiti-lo, as mãos também. Até mesmo o silêncio é capaz de fazer o chamado. Mas sempre respondemos com os pés. Levantamo-nos e começamos a seguir. Ou, então, recusamo-nos a obedecer.
Não aceitamos um convite qualquer para ir a um lugar qualquer. Antes de aceitarmos um convite queremos saber quem nos chama. Desejamos, no mínimo, conhecer quem nos chama.
Não se pode explicar a ação de Mateus a partir dele mesmo. Só podemos compreender sua atitude a partir de Jesus. É porque Jesus o chama. E porque Jesus o chama, ele obedece. Obedece porque crê, crê porque obedece.
E porque obedece? Não o faz por causa de uma advertência ou recompensa.
Não é advertência do tipo: “Se não me seguir será infeliz”. Também não há uma recompensa do tipo: “Se me seguir não terá mais dificuldades em sua vida”. No primeiro caso, a resposta seria por medo. No segundo caso, a resposta seria por interesse. 
Não se pode, pois, explicar a resposta de Mateus ao chamado de Jesus como fruto do medo ou de um interesse. Só se pode compreender a resposta por causa do amor. É o amor que motiva toda a cena na coletoria. Não o amor de Mateus por Jesus, mas o amor de Jesus por Mateus, e por causa desse amor Mateus age confiadamente, entrega-se completamente e segue Jesus incondicionalmente.
O que a atitude de Mateus nos ensina?
1) Que há ESPERANÇA! Mateus, assim como você e eu, desejava uma mudança na vida. Uma chance! Uma porta aberta! Uma oportunidade! Um novo caminho! Uma salvação!
2)  Que pessoas comuns, fazendo coisas comuns, num dia comum... podem ter um encontro com o extraordinário e, assim, o que antes era somente uma esperança, um sonho, um desejo, torna-se realidade.
3) Que ficar sentado enquanto a VIDA passa não é a melhor escolha. É preciso olhar pra cima, se levantar, se erguer e seguir Aquele que dá um novo e perfeito começo (re-começo)!
4) Que há coisas na vida que são prioridades, e não devemos colocar as necessárias no lugar das prioritárias. O sentido real da existência se dá no nosso encontro com Deus e qualquer tesouro, por mais precioso que seja, não pode nos dar significado para a existência e responder às questões mais profundas do ser. Agarrar-se ao tesouro da coletoria pode ser abrir mão do tesouro da vida.
5) Que confiar nAquele que é o Senhor da história é a segurança que precisamos para que, ainda que não saibamos qual o caminho, descansemos nossa vida nas mãos dAquele que sabe exatamente o que é melhor para nós.
6) Que não é o tempo que muda a vida da gente, mas sim o Senhor do tempo. Ouvir a sua voz então, discernir o seu chamado, é o que faz a diferença para uma nova vida.
7) Que fé é a palavra que descreve a direção em que nossos pés se movem quando descobrimos que somos amados. Pela fé, podemos avançar rumo ao desconhecido, certos de que aquela mão que jamais sai do nosso alcance conduzir-nos-á em perfeita segurança e em real alegria e vida!

Rev. Ézio Martins de Lima