sexta-feira, agosto 01, 2014
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
A igreja, o cristão e o sacerdócio
A salvação em Cristo é pessoal, a vida cristã é
comunitária e no Cristianismo nada é individual. Os cristão são o “Corpo de
Cristo”. Assim é descrita a experiência cristã pelo Novo Testamento: quem está
em Cristo, está na igreja
Ser cristão é uma questão de pertencer a Cristo e
aos irmãos. O individualismo moderno entrou pelas portas das “igrejas” e tirou
muita gente dos seus bancos. Hoje, diferentemente do ensinamento bíblico, é
comum encontrar aqueles que se dizem cristãos “sem igreja” ou “cristãos
flutuantes”, sem qualquer identidade, prestação de contas ou compromisso com a
comunhão dos irmãos e irmãs em Cristo.
Rick Warren compara um cristão sem igreja com um
jogador sem time, um soldado sem tropa ou uma ovelha sem rebanho.
As imagens bíblicas para definir a igreja definem
sua essência e natureza:
Lavoura (1 Co 3.9). Como lavoura espera-se que produza,
multiplique.
Edifício (1
Co 3.9; Ef 2.19-22). Como edifício espera-se que esteja bem edificada, firme,
fundamentada.
Noiva (Ef 5.25-27; 2 Co 11.2; Ap19.7). Como noiva
deve estar preparada para as bodas.
Vinha (Is.5.7; Jo 15.1-2. Como vinha deve ser produtiva.
Família de Deus (Ef 2.19 – pela Adoção Dt.18.2; Jo 1.12; Rm 8.15).Como
família deve viver unida e sob a autoridade do Cabeça.
Corpo de Cristo (Rm 12.5;
1Co12.27). Como corpo deve ter diversidade, unidade, mutualidade e saúde
Rebanho (At.20.28-29). Como rebanho tem que ser
obediente à voz do Pastor
Esse
rebanho recebe também outros nomes:
- Geração Escolhida – 1 Pe 2.9
- Nação Santa – 1 Pe 2.9
- Povo de Deus – Tt 2.19; At 15.14; Lc 1.17
- Filhos de Deus – Rm 8.16; 1 Jo 3.10
- Herdeiros de Deus – Rm 8.17; Gl 3.29
- Filhos da Luz – Ef 5.8; I Ts 5.5
- Cidadãos do Reino – Ef 2.9
- Despenseiros – 1 Co 4.1-2; 1 Pe 4.10
- Sacerdotes – 1 Pe. 2.9; Ap 1.16
- Cooperadores – 1 Co. 3.9
Todos os que pertencem a Cristo são in-corpo-rados pelo Espírito Santo na
igreja de Cristo. O corpo de Cristo se expressa historicamente por meio da
comunidade cristã local. Ser "membro da igreja" é, na linguagem teológica, ao mesmo tempo integrar
o corpo místico e universal de Cristo e integrar uma comunidade local de
cristãos. É ser membro da igreja invisível e da igreja visível.
Na “comunhão dos santos”, igreja de Jesus Cristo:
a)
temos o
ambiente espiritual de segurança para os cristãos através do cuidado mútuo.
b) o cristão
tem acesso a realidades que não estão disponíveis em nenhum outro agrupamento
social.
c) a adoração
comunitária nos ajuda a manter o foco em Deus, para uma vida de piedade e
gratidão.
d) as amizades
espirituais nos encorajam e fornecem o suporte necessário para o enfrentamento
das angústias e dificuldades inerentes à vida.
e)
na variedade
dos dons espirituais experimentamos o
crescimento necessário à nossa “peregrinação na vida cristã”.
f)
no
exercício dos nossos ministérios e na contribuição financeira participamos da
missão da Igreja e cooperamos com Deus para a redenção do mundo.
O tema de nossa igreja neste ano de 2014 continua
sendo “Comunhão e Crescimento”. Quero
encorajar você a tomar a sábia decisão de comprometer-se com o corpo de Cristo,
assumir sua vocação, missão e viver na comunhão que gera crescimento.
No amor dAquele que nos amou primeiro,
Ézio
Lima, pr
quinta-feira, maio 23, 2013
RETER O ÓDIO, OU LIBERAR O PERDÃO?
“Senhor, até quantas vezes
meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe
Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. (Mateus
18.21-35)
Se você está fazendo as
contas para saber quantas vezes deve perdoar alguém, é melhor parar. Pedro
estava sendo muito generoso ao sugerir que estaria disposto a perdoar alguém
até sete vezes. Contudo, Pedro entende o perdão a partir da perspectiva da lei.
Pedro está pedindo uma lei a Jesus: “Senhor, estabeleça um critério para o
perdão”. Jesus então conta a parábola do “credor incompassível” para explicar a
Pedro como o perdão pode ser entendido a partir da perspectiva da graça.
(Mateus 18. 23-35).
Em nossa vida sempre seremos
atingidos, magoados e decepcionados.
Quem passou pela vida em branca nuvem. E em plácido
palácio adormeceu, Quem não sentiu o frio da desgraça, Quem passou pela vida e
não sofreu, Foi espectro de homem –não foi homem, Só passou pela vida –não
viveu (Francisco Otaviano).
A questão, portanto, não é
como passar pela vida e não sermos vítimas do ódio, mas se vamos retê-lo ou
liberar o perdão. A parábola que Jesus nos conta traz lições práticas para
entendermos o perdão.
1) Quem não compreende o perdão que Deus concede, nunca
aprenderá a perdoar.
A parábola nos conta sobre
um homem que fora perdoado de uma dívida impagável, mas não conseguiu perdoar
uma dívida insignificante. Quando lemos o texto somos tomados de um sentimento
de insatisfação em relação à atitude deste “credor incompassível”. ‘Como alguém
que sendo perdoado de uma dívida de 2 milhões de dólares pode ser tão mesquinho
e mandar para cadeia alguém que lhe deve tão somente 100 reais?”. Ao lermos a
parábola perceberemos que este homem foi perdoado, mas ele não entendeu o
perdão. No momento que ele chega diante do rei não pede misericórdia, e, sim,
justiça. Ele diz: “Tenha paciência comigo e te pagarei tudo”.
Quem acha que seus méritos
podem comprar o perdão de Deus sempre exigirá que outros comprem também o seu perdão.
Não há lugar para misericórdia quando não nos reconhecemos incapazes de saldar
a dívida.
Quem não compreende que o
perdão de Deus é fruto de sua misericórdia, e não pela retidão dos meus atos,
nunca irá perdoar aos outros de forma genuína.
2) O que de graça recebemos, de graça devemos dar!
A chave para o verdadeiro
perdão é deixar de focalizar o que outros nos fizeram, e começar então a olhar
para aquilo que Deus fez e faz por nós. Diante da atitude do “credor
incompassível” em não perdoar a pequena divida de seu conservo, o rei, que o
havia perdoado da dívida impagável, disse: “Servo malvado, perdoei-te aquela
dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do
teu conservo, como também eu me compadeci de ti?” (Mt. 18.32-33).
O perdão que gratuitamente
recebemos de Deus, gratuitamente somos desafiados a liberar aos outros. Somos
vítimas de amigos que quebram suas promessas, de patrões que não mantêm suas
decisões, somos enganados pelas palavras doces, mas que escondem o veneno
amargo do egoísmo, somos rejeitados, maltratados... Antes, contudo, de irmos à
desforra precisamos ser honestos e reconhecer que também falhamos com as outras
pessoas; e não somente isto: falhamos com Deus!
E como o Senhor nos trata?
“Se confessarmos nossos
pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda
injustiça”. (1º João 1.9)
3. Quem não libera o perdão torna-se vítima do próprio
ódio
A parábola termina com o
veredito do rei em relação à atitude do “credor incompassível”: “E,
indignando-se, o seu senhor o entregou aos torturadores, até que lhe pagasse
toda a dívida”.
A maior tortura que aquele
que não libera perdão pode sofrer é torna-se vítima do próprio ódio. Aquele que
retém o ódio ao invés de liberar perdão acaba tornando-se prisioneiro da raiva,
da culpa, da vingança e melancolia.
“Senhor, até quantas vezes
meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe?”. “Depende, Pedro! Se você
quiser usar a lei, pela lei você também será julgado. Mas se você usar da graça
que Deus lhe concede, pela graça é que será julgado. A decisão de perdoar é
sua, Pedro. Você pode reter o ódio, esperando justiça, ou liberar gratuitamente
o perdão, por entender que foi pela graça que você foi perdoado pelo Pai. Mas
se lembre Pedro: como você lida com os outros, retendo o ódio ou liberando
perdão, é que vai manifestar como você compreende sua relação com Deus e como
você espera que Deus trate suas próprias falhas”.
Que Deus nos abençoe e nos
ensine a liberar o perdão que gratuitamente recebemos de Deus!
Rev.
Ézio Martins de Lima
(se usar este texto cite o autor e a fonte
quarta-feira, novembro 21, 2012
Gente não é ostra
A ostra tem o seu esqueleto na
superfície e o sistema nervoso no interior do corpo. Pois a concha é, na
realidade, o seu esqueleto. A ostra gruda a uma rocha e ali fica. A vida passa
por cima... E assim a sua sensibilidade está protegida. Mas o ser humano é
diferente: o seu esqueleto está no interior do corpo e os nervos na superfície.
Por isso, a nossa sensibilidade é assaz desenvolvida. A sensibilidade funciona
como um radar. Ela acusa e registra tudo que pode ferir-nos e, assim, causar-nos
algum dano.
Muitas vezes, em nossos
relacionamentos, não levamos em consideração que gente não é ostra – falamos ou
agimos sem considerar a sensibilidade de nosso próximo. Isso acontece com
doutores e analfabetos, com santos e pecadores. E grandes servos de Deus têm
caído nessa armadilha. O que aconteceu com Paulo e Barnabé deve ser uma
advertência para todos nós. “Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé:
Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais
anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam. E Barnabé queria levar
também a João, chamado Marcos. Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se
afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho. Houve entre eles
tal desavença, que vieram a separar-se. Então, Barnabé, levando consigo a
Marcos, navegou para Chipre. Mas Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu
encomendado pelos irmãos à graça do Senhor. E passou pela Síria e Cilícia,
confirmando as igrejas” (Atos 15.36-41).
É provável que Paulo e Barnabé
tenham usado palavras duras, talvez até violentas, um contra o outro, pois,
pelo menos o que consta na Bíblia, nunca mais trabalharam juntos.
Desse incidente podemos tirar
várias lições:
a) Precisamos ter cuidado
com nossas palavras para que elas não firam a sensibilidade das pessoas. Lembremo-nos do sábio conselho de Salomão: “A resposta branda
desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Provérbios 15.1).
b) Uma outra lição é que não
podemos afirmar, com absoluta exatidão, que a posição assumida por nós está
correta. Paulo não queria a companhia de Marcos porque julgava que ele
não tinha a firmeza e a tenacidade necessárias para a obra missionária. Barnabé
queria levar o primo (ver Colossenses 4.10) porque entendia que era correto
dar-lhe uma segunda chance. Paulo e Barnabé poderiam citar palavras de Jesus
para apoiar a decisão que tomaram. Paulo poderia lembrar que “Ninguém que,
tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lucas
9.62). E Barnabé poderia responder que o perdão nunca pode ser negado, ainda
que seja necessário perdoar “setenta vezes sete” (Mateus 18.22). Mais tarde
Paulo readmitiu Marcos em sua companhia, mas naquele momento era muito difícil
constatar qual dos dois estava certo.
Se entre o que eu penso sobre
determinada coisa e o outro eu não conseguir estender a
ponte do amor, torno-me uma parede que bloqueia a relação. A parede da
insensibilidade, do desrespeito, da maledicência, da indiferença e da mentira,
é o mecanismo que me impede de ver outro sob a ótica da graça de Deus.
Paulo e Barnabé foram dois gigantes na vida espiritual, mas –
infelizmente – pelo menos em uma ocasião eles não perceberam que gente não é
ostra.
Rev. Ézio Martins de Lima
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