domingo, maio 06, 2012

Praticantes da palavra


“Aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade” 2Tm3.7.
Utilizando-se deste versículo bíblico A. W. Pink, teólogo e pregador do início do século passado, alertou o seu rebanho sobre o perigo da hidropisia espiritual. “As pessoas ouvem um pregador após outro, vão a esta e àquela conferência, leem livros e mais livros sobre temas bíblicos, todavia, jamais chegam a um conhecimento vital e prático da verdade, de modo que em sua alma fiquem gravados o poder e a eficácia da verdade”.
O autor alega que “quanto mais ouvem, tanto mais desejam ouvir. Bebem sermões e discursos com avidez, mas sua vida não muda, em nada para melhor. Antes, sentem-se orgulhosos de seu conhecimento e não se humilham diante de Deus”.
Como filhos de Deus nosso dever é conhecer a Deus bem como Sua vontade, e o Senhor exige de nós uma prática consciente deste dever. Na IPICB somos expostos às verdades das Escrituras frequentemente nos cultos, Escola Bíblica Dominical, nos cursos ALPHA e aconselhamentos.
Podemos incorrer neste risco da hidropisia espiritual, mas para não contrairmos essa enfermidade uma avaliação sempre é bem recomendada: Temos aplicado as verdades bíblicas nas situações corriqueiras da nossa vida? O humilhar-se diante do Senhor tem sido nossa prática como adoradores? Temos guardado os mandamentos do Senhor (sem escolher alguns em detrimento de outros)? Nossa obediência tem sido ao Senhor e seus preceitos? Incorporamos a nossa vida as verdades do Evangelho?
Vale atentar ao conselho apresentado em Tiago 1.22 “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”.
No Amor dAquele que nos amou primeiro,
Rev. Ézio Lima

terça-feira, abril 24, 2012

Um mundo só para você!


Um mundo só para você!
Hoje, 22/04, celebra-se em diversos países do mundo o “Dia Mundial da Terra” (Earth Day).  Criado pelo senador americano Gaylord Nelson, no dia 22 de Abril de 1970, esta celebração tem provocado inúmeros movimentos visando à conscientização do uso dos recursos naturais e do estilo de vida consumista.
Abaixo transcrevemos o texto do presbítero e Dr. Alexandre Uhlig para a nossa meditação:
“Você já parou para pensar no seu estilo de vida e quão sustentável ele é?
Existe um conceito chamado “pegada ecológica”, desenvolvido pela ONG internacional WWF, que mede como utilizamos os recursos naturais (água, terra e ar) e os impactos que provocamos sobre eles. O método avalia como você se alimenta, se locomove, como é a sua casa e quais equipamentos você usa, e gera um número que corresponde à quantidade de planetas que precisaríamos se todas as pessoas do mundo tivessem o mesmo estilo de vida que você. Ficou curioso? Você pode calcular a sua pegada ecológica no site http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/calculators/
Se você calculou o tamanho da sua pegada ecológica deve estar se perguntando: Por que o planeta ainda não entrou em colapso se eu preciso de uma quantidade maior de recursos naturais do que ele pode prover? Por dois motivos: primeiro, porque muita gente, principalmente na África e na Ásia e nas regiões mais pobres do Brasil, utiliza poucos recursos naturais para viver, levam uma vida simples, sem conforto. Segundo, porque o Brasil é um país abençoado e possui, atualmente, mais que o dobro dos recursos naturais de que nós, brasileiros, precisamos. Isto aumenta nossa responsabilidade como cidadãos e como cristãos. Precisamos cuidar bem destes recursos; caso contrário, teremos sérios problemas de abastecimento de alimentos, de água e de energia no futuro. Este é o princípio da sustentabilidade, a capacidade de utilizarmos os recursos naturais, presente de Deus, sem comprometê-los por um período de tempo muito longo.
A vontade de Deus para as nossas vidas é que cumpramos os seus mandamentos e guardemos as suas ordenanças (Dt 26.16). Dentro destas ordenanças está o cuidado e o cultivo do jardim do Éden, lugar reservado para o homem viver (Gn 2.15). Deus nos recomendou uma vida simples e nos prometeu que teríamos tudo de que precisássemos (1Tm 6.6-8). Alertou-nos que a riqueza (traduzida por nosso estilo de vida) “leva o homem à destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males” (1Tm 6.9-10).
Considerando a vontade de Deus para as nossas vidas, precisamos nos arrepender, rever nosso estilo de vida e simplificá-lo (2Cr 7.14).
Será que precisamos de tudo o que temos? Ou de tudo o que queremos? Será que não nos preocupamos demasiadamente em acumular? E ainda por cima no lugar errado? (Mt 6.19-20).
O que podemos fazer para simplificar a nossa vida? Coisas simples e que não custam nada:
1) guarde o essencial, doe o supérfluo;
2) compre somente o necessário;
3) caminhe.
Estas são pequenas sugestões que farão diferença em nossas vidas, em nosso país e em nosso planeta. Utilize-as para iniciar uma conversa sobre o amor de Deus, que salva as nossas vidas (Jo 3.16) e o cuidado dele com a criação (1Jo 3.1)”.
“Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança” (Mt 5.5).

Sites com informações úteis
Living Lightly — www.livinglightly24-1.org.uk/. Site cristão com sugestões de como simplificar a sua vida na igreja, no trabalho, no lazer, nas compras etc.
Planeta Sustentável — planetasustentavel.abril.uol.com.br/home/. Site sobre sustentabilidade. Traz um interessante manual de etiqueta sustentável.

Alexandre Uhlig
Presbítero da Igreja Presbiteriana Independente do Ipiranga, em São Paulo. É físico e doutor em energia pela Universidade de São Paulo.

terça-feira, março 27, 2012

Medindo a FÉ


Penso que seja sábio eliminar de uma vez por todas a discussão sobre o quanto de fé possuímos, ou como precisamos de mais fé. Geralmente quando dizemos essas coisas não estamos falando sobre fé, mas de um sentimento que temos.
Quando definimos fé como um sentimento – de crença ou de piedade – o que na verdade estamos medindo não é a fé, mas uma emoção. A fé não é um sentimento. Ela é um ato de concordância, de abertura, de entrega... A fé, portanto, tem a ver com o que cremos que Deus está fazendo, está por fazer, e se fundamenta na perspectiva de Seu Poder, Soberania, Amor e Graça, mas não com o que estamos sentindo e nem com qualquer relação com a intensidade do que estamos sentindo. "Se o nosso coração nos acusa (ou duvida), Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas.” (1 João 3.20-22). Por exemplo, quando o pai do menino enfermo (cf.Marcos 9.24) ) disse "ajuda-me na minha falta de fé", não recebeu uma advertência de Jesus do tipo: "quando sua fé for grande, então, eu curarei o seu filho".
Embora em muitos textos encontremos a relação entre fé e cura, há muitos outros textos em que os milagres de Jesus foram realizados sem esta relação direta. Vejamos:
* Jesus curou em resposta à fé de um terceiro – caso da filha de Jairo (Mc 5.21-24)
* Jesus curou em resposta à fé pessoal – caso da hemorroísa (Mc 5.24-34)
* Jesus curou sem evidência de fé pessoal – caso do homem da mão ressequida (Mt 12.9-13); caso do cego (Jo 9.1-7); caso do paralítico do tanque de Betesda (Jo 5.1-13).
Quando Jesus diz: “grande é a tua fé” ou “homens de pequena fé”, não está se referindo ao sentimento ou a intensidade de emoção no coração das pessoas, mas quanto ao “objeto da fé” ou “ausência de crédito dado a quem merece todo crédito”.
Quando começo a medir a minha fé, faço isso a partir do meu ponto de vista e frustrações – e na maior parte das vezes faço isso porque estou olhando para as coisas numa perspectiva do meu fracasso, das minhas impossibilidades, do meu desânimo, etc. Enfim, olho para as coisas sob a perspectiva do meu “humanismo” que tende ser autônomo e controlar as coisas a partir daquilo que entendemos e queremos que sejam. Se, ao contrário,a fé é um repousar, descansar e entregar-me a Deus, passarei a ficar atento ao que Deus está fazendo, e assim torno-me mais e mais consciente de que tudo, inclusive minhas aparentes derrotas, fracassos e equívocos, fazem parte do Seu Plano perfeito que, aliás, tem como propósito a minha vida e não tanto o que eu quero nela e pra ela. O alvo da graça e do amor de Deus é tratar, curar, salvar a minha vida. Por isso Paulo brada: “todos as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Crer nisso “é muito”. É tudo. É o suficiente.
Ah! E Jesus disse que o Pai concede o Espírito sem medida (João 3.34). Ele não o dá como uma esmola. Há imensidade no ato, extravagância – mas nunca terei a dimensão dessa imagem se estiver medindo coisas a partir de minha perspectiva...
Rev. Ézio Martins de Lima