quarta-feira, novembro 23, 2011

Há outra via. Sim, há esperança!

Já tive o privilégio de caminhar por muitos lugares e visitar igrejas das mais variadas confissões. Tenho amigos ortodoxos e liberais, tradicionais e pentecostais, protestantes e católicos. Não gosto destes rótulos, pois toda tentativa de rotular é um reducionismo.  Contudo, e apesar dos rótulos, tenho presenciado manifestações inconfundíveis do verdadeiro Evangelho. O Evangelho é, por natureza, de difícil comercialização. Não se consegue vender virtudes; jamais conseguiremos vender o projeto da cruz, ou alienar por determinada quantia o perdão divino. O Evangelho da Graça é de graça, por mais que tentem vendê-lo por aí a torto e a direito!
Quem, afinal, pagaria para dar a outra face? Quantas pessoas estariam dispostas a pagar para sofrer por amor a Cristo? Quantos de nós pagaríamos para nos engajar na causas pela justiça? Quem, afinal, pagaria para amar com todas as consequências do verdadeiro amor? E quantos ricos aceitariam o Evangelho se tivessem que entregar metade dos seus bens aos pobres e ainda pagar, quatro vezes mais, àqueles a quem houvessem defraudado?  O evangelho de Jesus Cristo exige certa coragem, que quase sempre falta ‘aos grandes e poderosos’, mas que sobra nos “humildes”, naqueles que se tornaram como crianças.
Não se vê, é verdade, muito deste cristianismo autêntico por aí. Lastimo (e não raro choro) que o “evangelho vendido” aos berros na TV é o único que a grande parte do Brasil conhece. Às vezes alguém me pergunta qual minha religião. Educadamente digo que sou um cristão de confissão reformada e membro de uma igreja presbiteriana. É fácil perceber que a resposta dada exige outra série de explicações. Não é fácil explicar. E logo me pego dizendo: “ah, mas ‘minha igreja’ não faz aquilo, nem aquilo outro, nem isso...”.  O olhar incrédulo logo denuncia o total desconhecimento. Há um evangelho da “outra via”, mas ele é desconhecido. É uma pérola de inestimável valor, mas ainda completamente desconhecida por muitos!
Lembro-me de Elias, o profeta.  Ele estava muito cansado de ensinar a verdade, de lutar contra a mentira e pregar o caminho do Deus que exige fidelidade, mas não cobra ingresso.  Às vezes não é fácil fazer tudo isso sozinho porque dá uma sensação ruim de que se está na contramão.  Mais fácil é ir com a maioria, fazer o que todo mundo faz. Talvez isso redunde num certo ‘sucesso”, além de ser bem mais fácil. Mas Deus não pede nosso sucesso, mas nossa fidelidade; nem diz que o caminho é fácil, mas que a porta e o caminho são estreitos.  Mas Elias sentiu-se exausto e sozinho. Entrou numa caverna e quis desistir de tudo. “Querem Baal? Querem religião show? Fiquem com isso... eu vou tirar meu time de campo”.  Deus, então, na Sua bondade e graça, falou com Elias: “Conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou”  (I Reis 19.18). Você consegue perceber o que estas palavras significaram para Elias?
Sim. Há muitos joelhos por aí que não se dobraram. Trata-se de pequenas iniciativas? Por certo. Mas, somadas, elas podem nos surpreender por seus resultados. Sem dúvida alguma, os salvos pela graça e pregadores da esperança têm potencial para fazer muito mais. Há ainda muitos recursos sub-utilizados. Há muitos discípulos precisando sair do anonimato e pregar o “evangelho da outra via”.  Mas os dados estatísticos nos indicam que “a grande massa evangélica brasileira” é ainda composta pela soma das pequenas comunidades, e não pelos grupos evidentes na mídia. Glória a Deus! Sim, há esperança!
Esta parte do Corpo de Cristo permanece à margem da competitividade, mas diante da solidariedade; à margem da acumulação, mas vizinha da partilha; à margem do lucro, mas próxima da gratuidade; à margem do individualismo, mas de braços abertos para a fraternidade. Eles me ajudam a interpretar e entender a manjedoura, a encarar o sofrimento, a encontrar no calvário sinais de vida e ressurreição. Eles podem me trazer lembranças das coisas que resgatam a esperança da vida. Deus continua se revelando de maneira estranha e em lugares imprevisíveis – e nós não percebemos.
Você percebe? Alegre-se! Exulte! Não deixe, assim, de viver e proclamar o Evangelho da Graça e de graça! Há outra via. Sim, há esperança!

Ézio Martins de Lima, pr

terça-feira, outubro 11, 2011

Segue-me!



 “Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus sentado na coletoria e disse-lhe: Segue-me! Ele se levantou e o seguiu”.
Mateus 9.9
Jesus disse apenas: “Segue-me”.
Sem qualquer advertência, explicação ou tentativa de convencimento. Disse apenas Segue-me, o que pressupõe: “Venha! É Por aqui. Eu mostro o caminho”.
Esse convite não precisam se quer da voz. Os olhos podem transmiti-lo, as mãos também. Até mesmo o silêncio é capaz de fazer o chamado. Mas sempre respondemos com os pés. Levantamo-nos e começamos a seguir. Ou, então, recusamo-nos a obedecer.
Não aceitamos um convite qualquer para ir a um lugar qualquer. Antes de aceitarmos um convite queremos saber quem nos chama. Desejamos, no mínimo, conhecer quem nos chama.
Não se pode explicar a ação de Mateus a partir dele mesmo. Só podemos compreender sua atitude a partir de Jesus. É porque Jesus o chama. E porque Jesus o chama, ele obedece. Obedece porque crê, crê porque obedece.
E porque obedece? Não o faz por causa de uma advertência ou recompensa.
Não é advertência do tipo: “Se não me seguir será infeliz”. Também não há uma recompensa do tipo: “Se me seguir não terá mais dificuldades em sua vida”. No primeiro caso, a resposta seria por medo. No segundo caso, a resposta seria por interesse. 
Não se pode, pois, explicar a resposta de Mateus ao chamado de Jesus como fruto do medo ou de um interesse. Só se pode compreender a resposta por causa do amor. É o amor que motiva toda a cena na coletoria. Não o amor de Mateus por Jesus, mas o amor de Jesus por Mateus, e por causa desse amor Mateus age confiadamente, entrega-se completamente e segue Jesus incondicionalmente.
O que a atitude de Mateus nos ensina?
1) Que há ESPERANÇA! Mateus, assim como você e eu, desejava uma mudança na vida. Uma chance! Uma porta aberta! Uma oportunidade! Um novo caminho! Uma salvação!
2)  Que pessoas comuns, fazendo coisas comuns, num dia comum... podem ter um encontro com o extraordinário e, assim, o que antes era somente uma esperança, um sonho, um desejo, torna-se realidade.
3) Que ficar sentado enquanto a VIDA passa não é a melhor escolha. É preciso olhar pra cima, se levantar, se erguer e seguir Aquele que dá um novo e perfeito começo (re-começo)!
4) Que há coisas na vida que são prioridades, e não devemos colocar as necessárias no lugar das prioritárias. O sentido real da existência se dá no nosso encontro com Deus e qualquer tesouro, por mais precioso que seja, não pode nos dar significado para a existência e responder às questões mais profundas do ser. Agarrar-se ao tesouro da coletoria pode ser abrir mão do tesouro da vida.
5) Que confiar nAquele que é o Senhor da história é a segurança que precisamos para que, ainda que não saibamos qual o caminho, descansemos nossa vida nas mãos dAquele que sabe exatamente o que é melhor para nós.
6) Que não é o tempo que muda a vida da gente, mas sim o Senhor do tempo. Ouvir a sua voz então, discernir o seu chamado, é o que faz a diferença para uma nova vida.
7) Que fé é a palavra que descreve a direção em que nossos pés se movem quando descobrimos que somos amados. Pela fé, podemos avançar rumo ao desconhecido, certos de que aquela mão que jamais sai do nosso alcance conduzir-nos-á em perfeita segurança e em real alegria e vida!

Rev. Ézio Martins de Lima

quinta-feira, setembro 22, 2011

Cuidemos do Jardim ...

Quando Deus criou Adão e Eva, Ele os colocou em um jardim, com a responsabilidade de cuidar dele. Pode ser que nem todos nós tenhamos jardins, mas como descendentes de Adão e Eva, todos nós temos uma responsabilidade pelo ‘grande jardim’ ao nosso redor – o meio ambiente. Infelizmente, por causa do nosso pecado, não somos muito eficazes em cuidar dele. Somente quando Deus refizer completamente o universo, nós e nosso meio ambiente estarão em perfeita harmonia!

terça-feira, setembro 20, 2011

A corda da esperança

A corda da esperança
A visão do quadro “Esperança”, de George Frederic Watts, sempre me fascina.
Watts pintou uma mulher de olhar triste e desanimado, sentada no alto do globo terrestre. As costas estão curvadas como se carregasse um fardo insustentável. O olhar de desespero estampa-se no seu rosto.
Numa das mãos da mulher, Watts pintou uma lira. Há um detalhe no instrumento que o pintor desejou ressaltar: as cordas estão quebradas, menos uma. Ao contemplar este quadro alguém poderia questionar: “por que Watts lhe denominou-o ‘Esperança’ e não ‘Desespero’?’
Afinal, que melodia se pode tocar com apenas uma corda?
Eis a mensagem sublime da obra de Watts. Aquela única corda no instrumento era a corda da esperança. Um símbolo da última possibilidade de se tanger algum tom de alegria.
O Evangelho Segundo Lucas relata a história de dois discípulos de Jesus no caminho entre Jerusalém e Emaús (Lucas 24.13ss). Eles caminhavam decepcionados, feridos, sem esperança. Assim como estes dois discípulos, muitos hoje se sentem decepcionados com “a religião cristã” de nosso tempo; com o fato de tantos “líderes religiosos” sufocarem a mensagem de Cristo e se esconderem atrás de mensagens institucionais ou da mera propaganda ou clichê religioso.
Assim como aqueles discípulos, muitos de nós também não conseguimos perceber a presença de Deus em meio aos pequenos sinais do dia-a-dia. Note. A narrativa de Lucas nos mostra que Cristo estava presente durante aquela caminhada embalada pela melodia da tristeza, mas não foi reconhecido pelos dois discípulos. Eles estavam tão deprimidos e amargurados que não foram capazes de reconhecer que Jesus, o Cristo Ressuscitado, estava ao lado deles!
Mas eis que Jesus revela-se, abrindo-lhes os olhos para que vejam além da decepção, da desesperança... É assim! Deus, em Cristo, vem ao nosso encontro e, por Ele, então, somos “surpreendidos” pela auto-revelação plena do Seu amor. Deus, em Cristo, vem ao nosso encontro nos caminhos da vida... Surpreende-nos com sua presença de poder e graça! Altera o sentido da nossa existência! Dá-nos um propósito definido para a vida! Devolve-nos a esperança! Muda nosso rumo! Este é o poder da ressurreição!
Quando os olhos dos discípulos se abrem à visão gloriosa de Jesus Cristo, abrem-se também os seus lábios e, então, eles clamam: “fica conosco, Senhor... pois já é tarde e a noite se aproxima”.
Não é verdade que às vezes caminhamos seguindo a melodia da desesperança? Com quase todas as “cordas quebradas”, como tanger o tom da esperança?  Sentindo-nos quebrados, feridos... numa caminhada sem direção, sem rumo, sem esperança, o que fazer?  Creio que precisamos fazer a oração daqueles discípulos a caminho de Emaús: “fica conosco, Senhor... pois já é tarde e a noite se aproxima”. Afinal, sem a presença do Cristo ressurreto, o que seria de nós? O que seria de nós se não tivéssemos a certeza gloriosa de não estarmos sozinhos e abandonados numa existência sem sentido e propósito?! O que seria de nós sem a certeza de que Jesus, o ressurreto, caminha conosco e fica conosco?
Quando a enfermidade arrombar as portas da nossa casa e a morte mostrar sua face, então é hora de clamar: “fica conosco, Senhor, pois já é tarde e a noite se aproxima”.
Quando a solidão existência e essencial ou o desencanto com as pessoas nos abalarem, então é hora de clamar “fica conosco, senhor, pois já é tarde e a noite se aproxima”.
Quando nos flagramos envoltos em dúvidas existenciais e decepções nas experiências concretas da vida, então é hora de clamar: “fica conosco, Senhor, pois já é tarde e a noite se aproxima...”
Em todo instante, a cada instante, eu descubro, enfim, que preciso clamar: “fica comigo, Senhor, pois Tu és a minha única e real esperança”

No amor dAquele que nos amou primeiro,

Rev. Ézio Martins de Lima