quarta-feira, março 05, 2008

BATALHA DAS TOGAS


Hoje está se dando uma batalha das togas. Uma lei, questionada por um católico, então na qualidade de Procurador Geral da República, levou o assunto ao STF. O assunto suscitou polêmicas e muita tinta foi usada para defender o uso dos embriões em pesquisas para células-tronco. O embate maior se dá em dois campos, ambos togados. De um lado os togados (ainda que chamem suas togas de batina) que defendem o direito divino, o outro, também togado, que defende a compreensão humana do direito.

O primeiro acredita ter a verdade por conhecer os desígnios de Deus e entender exatamente quando a vida começa. O segundo acredita entender as vicissitudes e poder responder às necessidades humanas de forma mais pragmática. O primeiro grupo, baseado no direito divino, defende a vida desde uma ética de princípios e deontológica. O segundo, trabalha a ética de resultados.

O primeiro tem seus argumentos baseados na Bíblia, na tradição e no consenso eclesiásticos. O segundo baseia sua decisão em outra Bíblia, a Constituição e os Códigos legais. O primeiro se reúne em sessões litúrgicas em templos sagrados ou em conchavos nos jardins e corredores episcopais. O segundo se reúne em templo também sagrado, onde só iniciados e qualificados têm acesso. O primeiro é formado por profissionais religiosos de saber reconhecido, carreira longa e idade compatível para a responsabilidade do cargo, todos nomeados a dedo pelo papa. O segundo tem as mesmas características e também são nomeados a dedo pelo Presidente da República. O primeiro é formado exclusivamente por homens, o segundo tem a vantagem de ter uma mulher na sua composição.

Não posso ser expectador nesta batalha.. Como membro de uma igreja de tradição anabatista e crendo na separação da Igreja e do Estado, não posso aceitar que sejamos regulados civilmente por leis de concepção religiosa. Se o princípio religioso é superior, ele se imporá socialmente pela adesão voluntária dos cidadãos.

Na história da humanidade a Igreja já se colocou várias vezes de forma contrária aos avanços da ciência e, com o passar dos anos, teve que rever seus posicionamentos. A evidência científica refez o discurso religioso. Houve quem dissesse que biblicamente era impossível o homem colocar os pés na lua, que a terra era o centro do sistema, etc.

Como humanos fomos beneficiados pelo avanço da ciência médica, do avanço na manipulação genética das sementes, na seleção de melhores espécies animais, podendo até comer chester no Natal.

Uma pergunta tenho que não quer calar: é justo decretar a destruição de embriões com vida potencial e não usar isto para beneficiar e dar vida plena a quem necessita destas terapias? É justo decretar a morte da alegada vida dos embriões e não permitir que outras vidas, limitadas por problemas de saúde, possam viver mais dignamente?

Eu sou a favor do uso dos embriões para a salvação de vidas. Negar isto é matar duas vezes: o embrião e sua alegada vida e a vida dos enfermos que perdem a chance de ter uma cura ou paliativo para suas limitações e enfermidades.

Marcos Inhauser

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

ama os que te causam desgosto...


"Ama os que te causam desgosto, nada mais
desejando deles além do que te der o Senhor.
Ama-os como são, sem desejar, para teu proveito,
que sejam cristãos melhores... Que nenhum irmão,
ainda que tenha pecado a mais não poder, saia de
tua presença, depois de ver os teus olhos, sem
obter perdão, se de ti o tiver solicitado.
E se, depois disso, ainda mil vezes ele se
apresentar diante de ti, ama-o mais do que a mim,
a fim de conduzi-lo ao Senhor."

Francisco de Assis

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Oferta estragada...


“Marta, porém, andava distraída em muitos serviços... e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”
Lucas 10.40-42.



Marta estava preocupada com algo bom. Jesus fora convidado para o jantar. Ela estava literalmente servindo a Deus. Sua intenção era agradar a Jesus. Não obstante, cometeu um erro comum e perigoso. Quando começou a trabalhar para Ele, seu trabalho tornou-se mais importante que o seu Senhor. O que começara como um meio de servir a Jesus tornou-se, lenta e imperceptivelmente, um meio de servir a si própria... Ela esquecera-se de que a refeição era para honrar a Jesus, não a si mesma.
É fácil esquecer quem é o servo e quem deve ser servido.
Jesus detectou no coração de Marta um “desvio de propósito”. Quão ruim é começar bem e terminar mal! Começar bem é fundamental, mas terminar bem é essencial. Tem gente que começa bem, mas termina mal; porque durante o processo, os meios que deveriam servir ao fim se tornam o propósito.
"Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir só?" (Lucas 10.40).
A vida de Marta era tumultuada. Ela precisava de uma pausa. Pausa. Atenção. Direção. Pausa para ouvir. Atenção para obedecer. Direção para não errar o alvo.
Nosso Deus é misericordioso! Jesus fala com Marta, chamando-a ao real propósito da sua vida e, por conseguinte, do seu serviço: "Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas", explicou-lhe o Senhor, "mas uma só é necessária; e Maria [a] escolheu" (Lucas 10.41-42)
Qual foi a escolha de Maria? Ela optou por sentar-se aos pés de Cristo. Só isso? Não! Tudo isso! É que Deus tem mais prazer na atenção quieta de um servo sincero que no ruidoso serviço de um servo amargurado, que converteu o doce privilégio de servir num fardo amargo. Marta perdeu o propósito e, por isso, o privilégio.
Mais que o tipo de serviço, o que importa é o coração por trás do serviço. Deus se interessa mais com o servo do que com o seu serviço. Deus não quer oferta estragada, e uma atitude ruim estraga a oferta que deixamos no Seu altar.

Rev. Ézio Martins de Lima

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

VALORIZE A SUA VIDA!

“Mas eu não dou valor à minha própria vida. O importante é que eu complete a minha missão e termine o trabalho que o Senhor Jesus me deu para fazer. E a missão é esta: anunciar a boa notícia da graça de Deus”. (Atos 20.24)
Paulo disse que a vida dele, se voltada para ele, concentrada em seus próprios interesses, perdia o valor. O valor da sua vida era, portanto, proporcional à sua fidelidade à Missão que Deus lhe havia outorgado.
A equação que Paulo usava para a verificação da valorização do seu investimento era muito simples:
Investir na minha vida (buscando sucesso, dinheiro, status, poder, como se o mundo girasse em torno de mim e para mim) = desvalorização da vida. Neste caso a inflação da falta de sentido e da angústia existencial não permite lucro, só redunda em prejuízos! Quanta gente vive deprimida, estressada e cansada porque a vida se tornou (ou nunca deixou de ser) vazia de sentido.
Investir na Missão que Deus tem para a minha vida (buscando a Glória de Deus, a edificação do corpo de Cristo) = valorização da vida. Neste caso os lucros são extraordinários, pois além do prazer resultante de se cumprir o propósito de Deus, há o infindável número de bênçãos que Deus dispensa sobre os que amam e cumprem a sua vontade. Deus promete! Deus cumpre!
E qual é o valor da sua vida?
Ora, não foi você que escolheu Jesus; foi Ele que escolheu você. E Ele sabe que somos melhores e mais felizes quando somos frutíferos (João 15.16-17). Certamente Deus quer que você tenha uma vida frutífera e abençoada. Certamente Deus criou você para se sentir valorizado, e não para se vender por tão pouco, investido em tesouros cujo valor não passa de uma grande ilusão!
Deus valoriza a sua vida! Deus investe de dons, talentos, inteligência, habilidades... Por que? Para quê? O Apóstolo Paulo sabia bem a resposta! E você?
Você quer viver a vida com real valor? Só há um meio: colocar-se inteiramente disponível para Deus. Dedique-se no serviço do Senhor, ainda que de início sejam em “pequenas coisas”. Ore a Deus para que Ele revele seus dons. E se você sabe quais são os seus dons e talentos, lembre-se que enterrar talentos e dons pode ser trágico!
Valorize, pois, a sua vida! Invista na Missão de Deus para você! E lembre-se que a vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita. Então, descubra e cumpra a vontade de Deus para você; aí você poderá afirmar: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. Atos 20.24
No amor dAquele que nos amou primeiro,

Ézio Martins de Lima, rev.