sexta-feira, agosto 18, 2006

PODER

Poder

“Mas eles foram rebeldes e contristaram o Seu Espírito Santo; pelo que se lhes tornou em inimigo e Ele mesmo pelejou contra eles” (Isaías 63:10).

Você não concordaria comigo que a igreja de Jesus Cristo, no ocidente, está num triste e lamentável estado? Temos nossos programas de igreja, atividades, seminários, planos mestre, editoras, programas de rádio e de televisão, cultos de adoração contemporâneos, mistos e tradicionais, e uma pletora de estratégias evangelísticas. Aqui está minha pergunta, à luz de todas a atividade que experimentamos –– somos santos, estamos transformando nossa cultura, nossas nações são mais justas do que o eram há vinte ou cinqüenta anos atrás?

Qual é o problema? Posso sugerir que temos o mesmo problema que a nação de Judá enfrentou quando Isaías profetizou sobre ela por volta do ano 720 a.C. Temos nos rebelado contra o Senhor da glória. Temos entristecido o Seu Espírito Santo. Portanto, Deus se tornou nosso inimigo. Ele tem lutado contra nós. Esta linguagem é muito forte? Estou exagerando o caso? O melhor que a igreja cristã tem feito, à luz do continuado holocausto de aborto, da legislação de casamento homossexuais, e do continuado declínio da nossa uma vez grande civilização ocidental em libertinagem vergonhosa (...). Temos uma forma de piedade, mas sem uma demonstração do Espírito e de poder.

Eu lhe recomendo uma leitura atenta de Isaías 63, confiando que uma avaliação sóbria do nosso atual estado espiritual nos aflija verdadeiramente, fazendo-nos orar e trabalhar por um retorno ao nosso antigo pacto de glória. Aqui está um breve esboço do capítulo para lhe ajudar em sua leitura: versos 1-6, a vingança do Santo contra os antagonistas (Edom) de Seu pacto; versos 7-9, a lembrança das misericórdias do pacto do Santo; verso 10, a desobediência de Israel e as conseqüentes maldições do pacto do Santo; versos 11-14, a consciência do pecado de Israel e o seu clamor pelo retorno dos dias antigos; e versos 15-19, a oração zelosa, emocionante e ousada pela renovação das misericórdias do pacto.

Estou orando para que, juntamente com o povo da nossa igreja, comecemos a pedir a Deus para nos mostrar quão longe estamos da nossa antiga glória como Sua igreja. Para mim, parece-me que estamos como peixe na água, pois tudo isto faz tanta parte da nossa cultura que esquecemos de nosso mundanismo, materialismo, falta de preocupação pelo sofrimento e pelos perdidos do nosso mundo, gerando um formalismo na vida cristã. É possível que estejamos tão receosos dos excessos do movimento pentecostal, que tenhamos parado de crer que um avivamento do Espírito Santo é possível ou mesmo desejável? Novamente pergunto: você está satisfeito com o nível atual de sua espiritualidade? Você está satisfeito com o impacto que sua igreja ou denominação está fazendo para ver o perdido salvo e santificado, transformando nossa cultura? Se sim, então tudo bem, continue assim. Se não, e assim estou, então, urgo para que você honestamente avalie o clima espiritual da igreja ocidental. Você precisa se arrepender de pecado? Você precisa crer, pedir e buscar para que a plenitude do Espírito Santo caia sobre os nossos pregadores e evangelistas! Você precisa crer, pedir e buscar para que a plenitude do Espírito Santo abra os seus ouvidos para ouvir, viver e proclamar a Palavra de Deus. Sempre digo que nosso trabalho deve ser labutar diariamente e consistentemente pela reforma (reformando a igreja de Cristo de volta à palavra de Deus), e é responsabilidade de Deus trazer o avivamento, algo que Ele pode ou não soberanamente escolher fazer. Nós podemos, contudo, nos preparar para o avivamento. Possa Deus mover a todos nós a buscar Sua glória, mostrando-nos nosso pecado, fazendo com que nos arrependamos deles, e clamando para que o Espírito Santo encha nossas famílias, igrejas e comunidades, para que nossos pregadores preguem com autoridade e eficácia incomum, para que o Glória de Deus seja manifestada em nosso meio!


traduzido e
adaptado do texto do Rev. Al Baker, pastor da Christ Community Presbyterian Church, em West Hartford, CT., USA.

segunda-feira, agosto 07, 2006

O grande deus entretenimento

O grande deus entretenimento

Há muitos anos um filósofo alemão disse alguma coisa no sentido de que, quanto mais um homem tem no coração, menos precisará de fora; a excessiva necessidade de apoio externo é prova de falência do homem interior.

Se isto é verdade (e eu creio que é), então o desordenado apego atual a toda forma de entretenimento é prova de que a vida interior do homem moderno está em sério declínio. O homem comum não tem nenhum núcleo central de segurança moral, nenhum manancial no seu peito, nenhuma força interior para colocá-lo acima da necessidade de repetidas injeções psicológicas para dar-lhe coragem para continuar vivendo. Tornou-se um parasita no mundo, extraindo vida do seu ambiente, incapaz de viver um só dia sem o estímulo que a sociedade lhe fornece.

Schleiermacher afirmava que o sentimento de dependência está na raiz de todo culto religioso, e que por mais alto que a vida espiritual possa subir, sempre tem que começar com um profundo senso de uma grande necessidade que somente Deus poderia satisfazer. Se esse senso de necessidade e um sentimento de dependência estão na raiz da religião natural, não é difícil ver porque o grande deus entretenimento é tão cultuado por tanta gente. Pois há milhões que não podem viver sem diversão. A vida para eles é simplesmente intolerável. Buscam ansiosos o alívio dado por entretenimentos profissionais e outras formas de narcóticos psicológicos como um viciado em drogas busca a sua injeção diária de heroína. Sem essas coisas eles não poderiam reunir coragem para encarar a existência.

Ninguém que seja dotado de sentimentos humanos normais fará objeção aos prazeres simples da vida, nem às formas inofensivas de entretenimentos que podem ajudar a relaxar os nervos e revigorar a mente exausta de fadiga. Essas coisas, se usadas com discrição, podem ser uma benção ao longo do caminho. Isso é uma coisa. A exagerada dedicação ao entretenimento como atividade da maior importância para a qual e pela qual os homens vivem, é definitivamente outra coisa, muito diferente.

O abuso numa coisa inofensiva é a essência do pecado. O incremento do aspecto das diversões da vida humana em tão fantásticas proporções é um mau presságio, uma ameaça às almas dos homens modernos. Estruturou-se, chegando a construir um empreendimento comercial multimilionário com maior poder sobre as mentes humanas e sobre o caráter humano do que qualquer outra influência educacional na terra. E o que é ominoso é que o seu poder é quase exclusivamente mau, deteriorando a vida interior, expelindo os pensamentos de alcance eterno que encheriam a alma dos homens, se tão-somente fossem dignos de abrigá-los. E a coisa toda desenvolveu-se dando numa verdadeira religião que retém os seus devotos com estranho fascínio, e, incidentalmente, uma religião contra a qual agora é perigoso falar.

Por séculos a igreja se manteve solidária contra toda forma de entretenimento mundano, reconhecendo-o pelo que era – um meio para desperdiçar o tempo, um refúgio contra a perturbadora voz da consciência, um esquema para desviar a atenção da responsabilidade moral. Por isso ela própria sofreu rotundos abusos dos filhos deste mundo. Mas ultimamente ela se cansou dos abusos e parou de lutar. Parece ter decidido que, se ela não consegue vencer o grande deus entretenimento, pode muito bem juntar suas forças às dele e fazer o uso que puder dos poderes dele. Assim, hoje temos o espantoso espetáculo de milhões de dólares derramado sobre o trabalho profano de providenciar entretenimento terreno para os filhos do Céu, assim chamados. Em muitos lugares, o entretenimento religioso está eliminando rapidamente as coisas sérias de Deus. Muitas igrejas nestes dias têm-se transformado em pouco mais do que pobres teatros onde “produtores” de quinta classe mascateiam as suas mercadorias falsificadas com total aprovação de líderes evangélicos conservadores que podem até citar um texto sagrado em defesa de sua delinqüência. E raramente alguém ousa levantar a voz contra isso.

O grande deus entretenimento diverte os seus devotos principalmente lhes contando estórias. O gosto por estórias, característicos da meninice, depressa tomou conta das mentes dos santos retardados dos nossos dias, tanto que não poucas pessoas, pelejam para construir um confortável modo de vida contando lorotas, servido-as com vários disfarces ao povo da igreja. O que é natural e bonito numa criança pode ser chocante quando persiste no adulto, e mais chocante quando aparece no santuário e procura passar por religião verdadeira.

Não é uma coisa esquisita e um espanto que, com a sombra da destruição atômica pendendo sobre o mundo e com a vinda de Cristo estando próxima, os seguidores professos do Senhor se entreguem a divertimentos religiosos? Que numa hora em que há tão desesperada necessidade de santos amadurecidos, numerosos crentes voltem para a criancice espiritual e clamem por brinquedos religiosos?

“Lembra-te, Senhor, do que nos tem sucedido; considera, e olha para o nosso opróbrio. ...Caiu a coroa da nossa cabeça; ai de nós porque pecamos! Por isso caiu doente o nosso coração; por isso se escureceram os nossos olhos.” (Lm.5.1,16-17)

A. W.TOZER

sexta-feira, julho 28, 2006

“E era um o coração e a alma da multidão dos que criam”

(Atos 4.32)

Há três palavras neste versículo de Atos dos Apóstolos que me fizeram refletir por um bom espaço de tempo e me levaram a orar diante de Deus para que elas sejam também a realidade da nossa amada IPI do Brasil e, de forma específica, a realidade da IPI Central de Brasília.

“Um o coração e a alma” apontam para o equilíbrio que devemos buscar entre a razão e emoção. Vivemos num momento complexo da história da humanidade! É característico do mundo denominado “pós-moderno” que o eixo do conhecimento se deslocou da razão para o coração. Da cabeça para o sentimento. Do intelecto para a emoção. Temos caminhado mais e mais para uma sociedade cujo deus que a controla é a emoção. “O que eu sinto”, e ainda mais especificamente “o prazer que eu sinto”, determina as decisões em todas as áreas da vida.

Não podemos ignorar as emoções! Precisamos delas! No entanto, precisamos também da razão! A igreja neste nosso tempo precisa saber unir razão e emoção, o intelecto e o coração.

Há um Cristianismo que é só cabeça. É só pensamento. É só idéia. É só teologia. Mas que não tem vísceras. Não tem entranhas. Não tem sentimento. Não tem coração. John Stot chamou este cristianismo, e estes cristãos, de cristianismo de girinos e cristãos girinos. Girinos têm cabeça grande e corpo minúsculo. É só cabeça. Assim, há um cristianismo que é só cabeça, sem entranhas.

Por outro lado, há um cristianismo que é só vísceras. Só entranhas. Só emoção. Só coração. As pessoas são capazes de delírios arrebatadores. De manifestações fanáticas. De uma fé febril. Mas são incapazes de uma expressão mais refletida, mais aprofundada, mais crítica das verdades espirituais e das verdades do evangelho.

Só a combinação entre razão e coração, mente e emoção, intelecto e paixão, verdade e lágrimas, é que pode fazer a verdadeira igreja. Não devemos ser nunca tão emocionais que nunca cheguemos a pensar e não tão intelectuais que nunca cheguemos a sentir.

Devemos nos acautelar de uma teologia sem devoção, isto é, razão sem coração. E de uma devoção sem teologia, ou seja, de um coração sem razão.

A segunda palavra que me chama atenção no texto é “multidão”. Multidão tem haver com quantidade. Devemos corar de vergonha quando o assunto é crescimento numérico! Devemos dobrar nosso joelho e clamar que Deus tenha misericórdia de nós e nos capacite com poder do alto para que vivamos a qualidade que gera quantidade. Precisamos pedir a Deus que nos quebre em nosso orgulho para que aprendamos a dizer: “Senhor, sem Ti nada podemos fazer” (João 15.5). “Sem Ti, Senhor, não sabemos pregar, testemunhar, orar.... Por isso, precisamos de Ti”

Rev. Abival Pires escreveu certa feita que “Nós precisamos derrubar o mito, o mito de que nós temos que escolher entre quantidade e qualidade; o mito de que qualidade e quantidade são excludentes entre si. O fato é que há aqueles que querem justificar a falta de crescimento da Igreja apelando para a qualidade. Ah! Nós somos poucos, mas nós temos qualidade! Nós somos pequeninos, mas olha a nossa qualidade! O que interessa é a qualidade”. Por outro lado, escreveu ele: “ (...) há aqueles que, em nome da quantidade, sacrificam a qualidade e dizem: ‘se quisermos ter esta multidão, precisamos sacrificar a qualidade’. Esta é uma eclesiologia vesga. Temos que desejar ambas. Temos que buscar ambas”.

Quantidade tem haver com o numero de discípulos que a Igreja consegue produzir, e qualidade é o tipo de discípulo que esta Igreja produz, através do seu ministério e da sua atuação.

Precisamos de uma qualidade que atraia a quantidade. Pessoas são atraídas para Igreja pela qualidade. Qualidade da evangelização, do ministério, da pregação, da comunhão, do serviço, do ensino, do discipulado, da liturgia, do louvor, das orações... Esta igreja há da atrair multidões para o reino de Deus.

A Igreja primitiva casava qualidade e quantidade. No texto que nós lemos, eles adoravam. E como adoravam. Com fervor. Com vigor. Com poder. Adoravam com vigor, com poder. Ministravam com vigor, com poder. Evangelizavam com vigor, com poder. Oravam com vigor, com poder. Comungavam com vigor e com poder.

Mas, esta Igreja de profunda qualidade espiritual era também a Igreja da quantidade.

Que nestes dias de celebração do 103o aniversário da IPI do Brasil, oremos de forma ainda mais efetiva para que Deus derrame da Sua graça e poder sobre nós, a fim de que a realidade descrita neste versículo de Atos seja também a nossa!

Rev. Ézio Martins de Lima

terça-feira, julho 04, 2006

O CORO CELESTIAL


“Na manhã da criação, as estrelas cantavam em coro, e os servidores celestiais soltavam gritos de alegria”

Jó 38.7 (Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

“E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem”.

Lucas 2.13

Chama-me atenção o fato de que na criação, bem como no nascimento de Jesus, os anjos formem um grande coro (do gregro chorós, pelo latin choru) no louvor a Deus. Tal fato expressa que diante de Deus o ato apropriado é a perplexidade (temor e tremor) que redunda em adoração e louvor.

Os louvores dos anjos relatados nas escrituras têm caráter pedagógico. Somos exortados, ensinados e conclamados a não desprezarmos a majestade de Deus e, assim, não incorrermos no crasso erro de transformarmos o que é Glorioso em vulgar, comum, ordinário. Temos adorado a Deus como de fato deveríamos fazê-lo? Nosso coração é inflamado pela consciência da Sua gloriosa presença, e nossos lábios se abrem em louvor e todo nosso ser O adora? Ora, diga-me como adoras e eu digo quem é o seu deus!

Assim como o coro dos anjos, o canto coral na liturgia do culto do povo de Deus tem caráter pedagógico. Aliás, será que a existência dos corais humanos não é uma tentativa de trazer para a Terra o tipo de louvor entoado nos céus? Digressões à parte, o certo é que o ministério do canto coral, como todo o ato de louvor presente na liturgia do culto, não pode ser um fim em si mesmo, mas deve seguir o paradigma do coro dos anjos.

Neste final de semana o Ministério Canto Coral da IPI Central de Brasília celebra seu 44º. aniversário. Glória a Deus pela existência deste ministério que tem sido abençoado e abençoador, não somente em nossa igreja local, mas também nos lugares nos quais tem, segundo o modelo do Coro Celestial, entoando louvores a Deus. A recente viagem do Coral à cidade de São Paulo para a apresentação em 5 igrejas é um bom exemplo disso. Os inúmeros testemunhos das pessoas que ouviram o louvor entoado pelo Coral, demonstraram que o louvor realizado com arte, e acima de tudo com compromisso com a Glória de Deus, leva as pessoas a se renderem em adoração!

Como tem sido nos últimos 20 anos, a festa de aniversário tem sido o “Encontro de Corais”, cuja finalidade é uma grande concentração de louvor a Deus. Temos, assim, o privilégio de ouvir vários “corais” compostos de irmãos e irmãs, de várias denominações evangélicas, que têm dedicado seu tempo e seus dons para o louvor com arte e alegria diante de Deus. A nossa melhor reação —ao contrário daqueles que se reúnem para aplaudir os homens nos seus espetáculos de entretenimento— deve ser, portanto, o prostrar em adoração e, assim como os anjos, louvar a Deus!

Soli Deo Gloria!

Rev. Ézio Martins de Lima