quinta-feira, março 12, 2009
quarta-feira, março 11, 2009
Como não ter Deus?
terça-feira, março 10, 2009
Comunhão e excomunhão
Cony sempre me surpreende com a sua inteligência e perspicácia. Pra quem nao sabe, Cony cursou teologia e disse em recente entrevista que se sente frustrado por nao ter sido ordenado Padre, como se algo lhe faltasse. Nao é sacerdote de uma paróquia, mas com sua seriedade e bom-senso tem exercido um sacerdócio de alcance ainda maior.
Ézio
CARLOS HEITOR CONY
Não vejo motivo para tanta e tamanha repercussão para o caso do arcebispo de Olinda e Recife ter usado um artigo do Código Canônico, que rege a Igreja Católica, aplicando a excomunhão para os envolvidos no aborto de uma menina de 9 anos estuprada pelo padrasto.
Excomunhão, como o nome está dizendo, é uma exclusão das graças espirituais da redenção cristã e do acesso aos sacramentos, como o batismo, a confissão, a eucaristia, o matrimônio etc.
Trata-se de uma pena que só atinge os fiéis daquele culto. Não estou seguro das estatísticas, mas acho que quatro quintos da humanidade não professam o catolicismo romano, daí que nada têm a temer do castigo. Para um budista, um judeu, um protestante ou um evangélico das muitas seitas existentes, os muçulmanos, os espíritas e os ateus convictos nada têm a temer da excomunhão de uma comunhão da qual não fazem parte.
Há, contudo, uma imensa legião de católicos censitários, que se declaram como tal quando indagados formalmente, mas que nem sabem o que isso representa. É um catolicismo social, reduzido a missas de sétimo dia, a casamentos na igreja, a batizados festivos e até a festivas primeiras comunhões, dessas que dão direito a vestidos de noiva para as comungantes.
Para esses, a liberdade individual de pensar é um direito do qual não abrem mão. Fazem uma triagem da doutrina católica, aceitando isso, mas negando aquilo. Editam a sua própria religião. O crente oferece sua liberdade de pensar à fé que professa e se obriga a respeitá-la, a viver de acordo com as suas regras. Caso contrário, ele se coloca fora da comunhão dos seus fiéis. Lutero era frade, não aceitou a venda de indulgências e deu o fora, criando a Reforma. Foi excomungado. E daí?
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1003200905.htm ( Jornal “Folha de São Paulo, 10 de Março de 2009)
domingo, março 08, 2009
“Não há diferença...”
Neste domingo celebra-se o “Dia Internacional da Mulher”. A celebração desta data, contudo, muitas vezes acaba por reforçar exatamente o que se pretende combater. A mulher é apresentada como um ser que carece de piedade por parte dos homens; por ser frágil, carece de cuidado. Algumas propagandas neste período (especialmente de cosméticos) cometem o disparate de apresentar a mulher como mero objeto a ser adornado para o deleite dos olhos masculinos... Na data que pretende combater o preconceito, reforça-se o preconceito.
O texto de Gálatas, escrito pelo Apóstolo Paulo (tantas vezes erroneamente acusado de machismo), apresenta o resumo do ensino inaudito de Jesus Cristo com relação à mulher: não existe diferença entre homens e mulheres. Obviamente que não se trata aqui das diferenças que são visíveis e inquestionáveis, mas daquelas que se originam da cultura da dominação e do preconceito, e que resultam na humilhação, na coisificação e toda sorte de violência sobre o gênero feminino.
Triste fato é que nem todas as igrejas que se dizem cristãs são fiéis à mensagem de Cristo. Utiliza-se muitas vezes a própria Bíblia para excluir as mulheres dos postos de liderança, como se fossem inferiores, passionais (às são tratadas como não muito inteligentes ou capazes).
Existem mulheres na Bíblia que são uma verdadeira inspiração, se somente falássemos delas sairiam daqui imbuídas de força e vigor.
“não existe diferença (...) entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus” (Gálatas 3.28).
Em Cristo as diferenças são desfeitas. A mulher deve ser honrada não porque se parece com um bibelô que carece de cuidados especiais, mas porque não há diferenças que justifiquem qualquer tipo de rebaixamento do gênero.
Enquanto igreja que pretende ser fiel à mensagem poderosa de Jesus Cristo, não podemos negligenciar o fundamental, imprescindível e inquestionável valor da mulher em nossa comunidade de fé. Toda sorte violência, quer seja moral, psicoemocional e física, deve ser taxativamente combatida. A luta pelos direitos da mulher não deve ser uma luta apenas das mulheres, mas de todo cristão que aprendeu que “em Cristo não há diferença entre homens e mulheres”.
Rev. Ézio Martins de Lima